Capítulo IV


História Universal

do

Vegetarianismo


A Verdade escrita

nem sempre é a real!

Com muita frequência,

a verdade oficial,

num determinado período de tempo,

está cheia de erros e falsidades!


D.D.C.

Alguns dados

Na Primeira Parte e nos seus 3 Capítulos, ao abordarmos a História da Alimentação do Ser Humano, em todos eles surgem elementos sobre o regímen vegetariano.

Vamos, agora, aprofundar um pouco mais, conscientes de que só esta área daria para um volume com elevado número de páginas ou até mais precisamente para vários volumes!

E como temos de resumir, apenas nos vamos debruçar sobre a História deste regímen depois de Jesus-Cristo.

Comecemos pela vida de São João Baptista.

Desde jovem que nunca acreditámos que o Anunciador ou o Precursor do Messias teria comido gafanhotos. Também não cremos que, Aquele que era a reencarnação do profeta Elias e anteriormente a de Moisés, vestisse pêlos de camelo e usasse cinto de couro, tal como está escrito na maioria dos textos bíblicos.

Depois de mais de quarenta anos de estudos sobre esta área, concluímos que essa nossa intuição estará certa.

O problema surge com outros prismas: 1) Qual seria a palavra certa, aramaica, que constava no original do Evangelho segundo Mateus que desapareceu? 2) Como foram transmitidas pelos escribas as versões orais para a escrita nos textos tanto no aramaico como no original existente em grego?

Sabemos que João Baptista era essénio, logo jamais teria comido gafanhotos, muito embora estes surjam como alimento no Antigo Testamento, o que também não o cremos como correcto, até porque são várias as interpretações que podemos ter sobre as palavras hebraicas usadas, em número de nove, que foram traduzidas por gafanhoto.

Se investigarmos esta palavra sob um prisma simbólico, também não encontrámos nenhuma interpretação que tivesse alguma lógica.

Procurámos ajuda; investigámos várias fontes e concluímos que as opiniões divergem desde a que foi publicada na revista O Vegetariano, Volume I, I Série, 1909-1911, em que é defendido, na página 168, que a tradução correcta do grego será gomo até outras que traduzem por rebentos, bagas.

Vamos até ao Evangelho segundo São Lucas.

Logo no primeiro Capítulo e no versículo 14, acerca de S. João Baptista: Será grande aos olhos do Senhor e não beberá vinho nem bebida alcoólica; será cheio do Espírito Santo ainda antes de nascer.

De novo, eis o voto de um essénio, de um nazireu ou nazareno.

Portanto, S. João Baptista seguiu a alimentação vegetariana, no mesmo rumo de Jesus-Cristo e dos Seus Discípulos tal como já afirmámos.

No século I depois de Cristo, começam as controvérsias sobre esta área, como sobre muitas outras.

Os dogmatismos iam sendo impostos...

Contudo, sempre houve fiéis seguidores dos puros ensinamentos de Cristo e, entre eles, os que seguiam este regímen alimentar, como defendiam a Lei dos Renascimentos, como a Fraternidade Universal.

Dado que este Ideal encerra o fim da exploração do ser humano por outro, não é de admirar, que ainda hoje, esta palavra esteja cada vez mais fora do vocabulário e não só. Fala-se, agora, em solidariedade.

Será interessante lembrar a forma como terminava a correspondência oficial, em Portugal, na 1ª República: Saúde e Fraternidade. Com o Estado Novo, A Bem da Nação; depois do 25 de Abril de 1974: Com os Melhores Cumprimentos.

Sem comentários.

 

Regressando aos cristãos, sabe-se que, nos primitivos tempos do cristianismo, o regímen alimentar era vegetariano.

Ainda depois de ter sido determinado o uso da carne num concilio, este regímen continuou a ser seguido por todos os que amavam em obras e em verdade.

Por isso, S. Clemente de Alexandria, ou apenas Clemente de Alexandria (150-215) porque defendeu além da lei dos Renascimentos como a filosofia platónica e ainda este regímen de não matar. Também, S. Basílio Magno (328-370), fundador da Ordem dos Basilianos, seguiu o vegetarianismo, divulgando-o em obras para bem de todos. Por sua vez, S. João Crisóstomo (344-407), homem sábio e puro, continuou seguindo os puros ensinamentos de Cristo, entre eles, não matarás.

Outra figura eminente do cristianismo, Santo Agostinho, (354-430) cuja obra As Confissões merece uma leitura atenta, com mente aberta, livre, também ele deu exemplo nesta área.

Entre outras figuras históricas dos primeiros séculos depois de Cristo, surge Plutarco (46-125) cuja obra está de novo a ser alvo de estudo. Este sábio eminente foi um dos que defendeu o regímen vegetariano, com vigor, suas palavras sobre o consumo de carne são profundamente duras. Deixou vasta obra sobre várias áreas desde a higiene, à filosofia e até à educação. Também Tertuliano (155-255) um livre-pensador cristão que não se subordinava a ordens com as quais a sua consciência não concordava foi outro defensor desta filosofia de vida como um eminente jurista.

Como será evidente estas personalidades exerceram influência em muitas pessoas, tiveram os seus discípulos.

Por tudo isso, nestes primeiros séculos, terão sido miríades de seres humanos que seguiram o vegetarianismo, como filosofia de vida.

Mais tarde, surge S. Bento (480-540), fundador da Ordem dos Beneditinos, em parte inspirada na de S. Basílio Magno, em cujo seio existiram iniciados, todos seguindo o vegetarianismo.

Continuando, temos S. Bernardo (1090-1153), ligado à Ordem de Cister, onde existiram Iniciados do movimento rosacruciano, como impulsionou a formação da Ordem do Templo, esta mais intimamente ligada à Escola Rosacruz.

Em 1182, nasce, em Assis, Itália, aquele que viria a ser o Cristo da Idade-Média, São Francisco de Assis, cuja Ordem tem muito de comum com os ideais rosacrucianos. Pai da verdadeira ecologia, eis um nobre exemplo de amor aos animais.

Desde o século XI e até ao século XIII, os Cátaros ou Puros, como os Albigenses, intimamente ligados entre si, como nos ideais, seguiram esta filosofia de vida.

Como é consabido, todos eles foram vítimas dos fanáticos e dos dogmáticos, depois de perseguidos foram mortos em número elevado e indefinido pelos demoníacos inquisidores.

Graças ao elevado espírito cristão do rei de Aragão, D. Pedro III, considerado como o protector dos hereges, muitos conseguiram, neste reino, salvar as suas vidas dos ferozes algozes luciferianos. Muitos deles acabaram também por ser recebidos, em Portugal, graças ao clarividente rei D. Dinis e sua Esposa Rainha Santa Isabel que viria a ser uma médica hipocrática.

Com a Inquisição, muitos vegetarianos foram mortos, pois tudo tinha de viver em sintonia com as directivas aprovadas em Concílios, muitas delas anti-cristãs.

Surge assim um período de trevas em diversas áreas até que, em alguns países, voltam a ressurgir os ideais da filosofia vegetariana, ou mais precisamente, eis que grandes figuras da História da Humanidade, como Leonardo da Vinci (1467-1516) defende o vegetarianismo com profundo vigor, derramando luz e amor sobre muitas áreas da vida humana. O mesmo sucedendo com o maior escritor espanhol, Miguel Cervantes, (1545-1616), autor da célebre obra Dom Quixote.

Na Inglaterra, Francis Bacon (1561-1626), outro rosacruz, filósofo eminente, professor, é um dos arautos do naturismo.

Antes, porém, temos o Lutero da medicina, o rosacruz Paracelso, que defendia que o ser humano é o que come.

Infelizmente, foi difamado por um discípulo hipócrita e perverso, de nome Oporinus, como alvo de perseguições não só em vida como depois de sua morte pelos incompetentes colegas, os escolásticos, os egoístas, como por muitos senhores dos dogmas e dos poderes efémeros.

Paracelso, cujo ideal como médico era seguir Cristo, viveu como um verdadeiro cristão, curou por ciência maravilhosa como consta no túmulo que contem os seus restos mortais, Igreja de S. Sebastião, Salzburgo, Áustria.

Prevendo tudo isso pediu para no seu funeral serem entoados os Salmos números 1, 7 e 30. Deles apenas lembramos: Feliz o homem que não segue o conselho dos ímpios... Nem toma assento na companhia dos libertinos... Salvai-me de todos os que me perseguem... Fazei calar os lábios mentirosos, que falam contra o justo, com, desprezo e arrogância.

É extensa, a lista das figuras vegetarianas que, ao longo da história da Humanidade, tem defendido este regímen.

Recordemos, agora, dois vultos do movimento filosófico do século XVIII. Em primeiro lugar, Voltaire (1694-1778), o grande defensor da tolerância, da liberdade de pensamento, libertai-vos de fanatismos, de dogmas, de charlatanices, acaba por seguir a filosofia vegetariana; outra figura, quiçá, ainda mais elevada, J. Rousseau (1712-1778), o filósofo da liberdade, da igualdade, dos ideais democráticos, do panzoísmo, reconhecendo que a Vida está em toda a parte, acabando por ser um arauto da defesa dos animais e do vegetarianismo.

Neste período, na Inglaterra, o rosacruz Isaac Newton (1643-1727), além de, profundamente, estudar a matemática, em grande parte, dizia ele, para comprovar a astrosofia, dedicou-se à alquimia, sendo outro vulto do naturismo. No mesmo país, o pastor John Wesley (1703-1791) funda a Igreja Metodista, seguindo o vegetarianismo. Neste país, avançam com grande impulso os ideais naturistas, Lorde Byron (1788-1824) é outro dos vultos desta área humanista.

Também na Alemanha, este movimento ganhava cada vez mais adeptos, como o rosacruz Goethe (1749-1832), iniciador do romantismo; o grande compositor Ricardo Wagner (1813-1883) é um dos apoiantes, tendo escrito uma obra sobre a barbaridade da vivissecção, onde está bem patente a sua amizade para com os animais; também o médico altruísta e grande humanista cristão, Albert Schweitzer (1875-1965) está deste lado com grande vigor para bem dos doentes, da humanidade.

Voltando à França, eis o rosacruz Vítor Hugo (1802-1885) o apóstolo da Paz, da Fraternidade, como religião, o Amor Universal, que viria a defender, além do vegetarianismo, os Estados Unidos da Europa, tema que será um dos títulos do nosso próximo trabalho, para esse elevado Ideal, acabou por doar a sua biblioteca que continua esperando por esse grande DIA, dos Estados Unidos da Europa.

Indo até á Rússia, surge-nos o imortal Leão Tolstoy (1828-1910) como um arauto desta filosofia ao lado da renovação de todas as áreas da vida humana, desde a militar até à política, da filosofia à religião.

Vamos até ao novo continente: a América.

Abraão Lincoln (1809-1865), o pai dos Estados Unidos da América, da Fraternidade, da Liberdade para todos os seres humanos, do fim da escravidão, a ele e a muitos outros este país deve a sua união, por isso, acabou por ser assassinado, tinha como religião o amor e não podia conceber uma que não encerrasse esse sentimento para com os animais. Depois da sua morte, este país reconheceu que, afinal, ele era o Pai Lincoln. Tinham ficado órfãos...

É ainda, em sua vida, que, neste grande país, se fundou, em 1850, a Associação Vegetariana Americana, embora a primeira tenha sido criada na Inglaterra, em 30 de Setembro de 1847.

É interessante verificar que tal como os Coretos, essa singular construção, palco da liberdade, surgiram pela primeira vez na Inglaterra, ver nossas investigações nos diversos Catálogos das Exposições, como no nosso trabalho Os Coretos do Distrito de Leiria, edição do INATEL, com colaboração de C. Baptista, também o movimento vegetariano tem a sua dinâmica mais profunda e pioneira no pais da Magna Carta.

Enquanto aqueles foram o palco das Filarmónicas criadas nos finais do século XVIII, essencialmente ao longo do seguinte, com funções de ajudar não só ao cultivo desta sublime arte nos meios mais populares como ao aumento do seu nível de instrução, enquanto as Sociedades Vegetarianas tinham por base um estrato social mais erudito, alguns com cursos universitários e, a partir dos finais do século XIX, com fortes ligações ao movimento esperantista, cultivo de uma língua supranacional.

Todavia, em ambos os movimentos norteavam os ideais de Liberdade, de Fraternidade, da construção de uma sociedade mais justa e culta, daí o enorme incremento que todas elas tiveram, como a dinamização do esperanto, agora de novo renovado, enchiam as pessoas de ideais mais fraternos.

É na Grã-Bretanha que avança este movimento com mais vigor, onde mentes abertas seguem o caminho da libertação desde o reverendo William Cowherd que, em 1807, defende a temperança, a qual não inclui alimentos que resultam dos sacrifícios dos animais e dos peixes.

É ainda neste país que é criado o primeiro Hospital vegetariano, precisamente, no ano de 1846, onde seria fundada a primeira associação vegetariana acima focada.

O tema ligado às Associações Vegetarianas em cada país e bem assim as suas Uniões Internacionais serão mencionadas no subtema a seguir inserido.

Todas elas tiveram e têm tido uma missão muito nobre como valiosa para a difusão deste ideal, de tal modo que, neste país, em cada ano sobe o número de vegetarianos que levará num curto espaço de tempo a estarem em maioria, tanto na Inglaterra como na Alemanha.

Outros, como Portugal, a Áustria, terão neste momento uma percentagem algo reduzida, na ordem dos 2 a 3%.

Contudo, cada ano que passa também aqui avança, cada vez com mais vigor, o movimento vegetariano.

Nos Estados Unidos da América surge uma das grandes figuras deste movimento, John Harvey Kellog (1852-1943).

Quem é que não conhece os produtos dietéticos com a marca Kellog?


Eis o primeiro Sanatório Naturista nos EUA, fundado por este médico, grande advogado do vegetarianismo, seguidor do Adventismo, que além disso foi um exemplo de vida fraterna e humanitária.

Esteve ligado a diversas Universidades, deixando uma obra notável que por vezes passa totalmente despercebida ao cidadão comum, incluindo dos que comem os tão conhecidos corn flakes, cereais usados para o pequeno-almoço e não só.

A foto que inserimos foi publicada, na revista O Vegetariano, de Maio de 1912.

Portugal precisava de mais pioneiros e humanistas como os que estiveram ligados a esta revista como à Sociedade Vegetariana de Portugal, com sede no Porto.

Estes foram, na realidade, os pioneiros do valor da alimentação para a prevenção das doenças e como meio auxiliar no tratamento, no nosso país, e não o que já temos lido em revistas e não só!

Mahatma Gandhi (1869-1948) é uma das figuras históricas mais apaixonantes pela sua vida, o seu exemplo, os seus elevados ideais, a defesa da filosofia do amor, por outras palavras, a da não-violência.

Além de grande defensor do vegetarianismo, sentia a dor da humanidade e dos animais que eram sacrificados para alimento e para o vestuário, etc.

 

Ressaltamos dois ideais:

  1. As revoluções da França e da URSS não foram lutas pela verdadeira democracia que idealizo. Esta para mim tem de ser aquela onde cada ser humano é o seu próprio senhor.
  2. Nota pessoal:
    Está mais que actual. Ou avançamos rumo a esta vivência ou jamais os problemas serão resolvidos, pelo contrário, eles vão aumentar.


  3. Acredito em Cristo, mas não no vosso cristianismo.
  4. Nota pessoal:
    Que cada qual se examine e conclua.


Muitas outras figuras podíamos ainda incluir desde actrizes, actores, escritores, músicos, pintores, filósofos, cientistas, políticos, profissionais de saúde, pedagogos, muitas miríades de seres humanos dos quais nem sabemos os nomes.

Lembremos o médico Maximiliano Óscar Bircher-Benner, suíço, (1867-1939).

Quem é que já não ouviu falar em muesli?

Pois é, foi um dos produtos ou ementas por ele inventado.

Mas, em nossa opinião, a base dos enormes êxitos que conseguiu na sua famosa clínica, em Zurique, reside numa realidade, já defendida pelo rosacruz Paracelso, em que não podemos desligar o corpo da alma não só no tratamento das enfermidades como para a sua prevenção.

Outro ponto de enorme valor está na constatação de que os vegetais e os frutos crus encerram poderes vibratórios, energias cósmicas, muito valiosas para a cura e para a prevenção.

Recordamos um dos seus ensinamentos numa das suas obras que comprámos em finais da década de 60 e que nos serviu de orientação para a alimentação dos filhos e para nós mesmos. Essa obra emprestei-a, em princípios da década de 80. Resultado: jamais nos foi devolvida...

Nela se fazia alusão ao tratamento nesta clínica por métodos naturais, em que os produtos oriundos da agricultura biológica eram usados em cru, incluindo o leite, este era controlado bacteriologicamente, pois tinha uma equipa, trabalhando com ele, especializada em diversas áreas, desde agronomia à biologia, e, entre eles, alguns familiares que continuaram o seu trabalho altamente benéfico e científico, conseguindo curas de doentes já considerados como incuráveis!

As Faculdades de Medicina deviam ter em consideração este grande factor, jamais separando o corpo físico do anímico, pois o ser humano é um todo, não é só X de cálcio e Y de Vitamina C ou B 12, etc., etc.

É de louvar e de agradecer a continuação desta obra pelos seus descendentes, que criaram ainda um centro de Medicina para investigação e tratamento, baseado na experiência que é a melhor Escola.

Eis um exemplo que deve ser seguido em todos os países e nas principais localidades ou em qualquer outro lugar que reúna condições para bem da humanidade.

Em Portugal, lembramos as diligências de várias personalidades para que houvesse as condições de tratamento da doença, como existia e existe na Alemanha, na Inglaterra, nos EUA e noutros países.

Na revista Natura, nº 121 de Outubro de 1964, Colluci recordava que o Governo e o povo da Bélgica se interessava pela Naturopatia; que na Alemanha a Naturopatia era reconhecida pelo Governo, e que o médico alopata não receia ouvir a opinião do naturopata, ambos se unem no tratamento das doenças.

Como é evidente o naturopata não está autorizado a tratar certas doenças.

No número 142, de Julho de 1966, Colluci foca o movimento naturopático, na França, lembrando a criação da Sociedade Francesa de Naturopatia da qual faziam parte entre outros o Dr. P.V. Marchesseau e o Dr. Grégoire Jauvais, este foi nosso professor, que nos deu nota de 13 valores no curso de biologia naturopática.


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Actualmente, repetimos, aumenta, dia a dia, o número de vegetarianos; em países como a Inglaterra, são já 10% da população; na Índia, ronda os 40%, mas este caso é particular e assim por diante.

Quanto ao número real, em Portugal, como, em outros países, não existem, por vários motivos, entre eles, há alguma confusão pois há pessoas que, pelo facto de não comeram carne, apenas peixe, se consideram como vegetarianas; outras têm ainda medo de assumir, o que jamais se deve ter, pois estão dando exemplo aos outros.

Pela nossa observação dos clientes em restaurantes vegetarianos cada vez em maior número, por elementos diversos, pensamos que deve andar por 200 000 mais ou menos.

Entre os políticos que seguem este regímen e dão testemunho vivo, oral e real, lembramos o Presidente da República da Eslovénia, Dr. Janez Drnovsek, grande defensor ainda dos animais, apoiante das Associações de Defesa dos Animais.

A título de curiosidade, o dia 1 de Outubro é considerado como o Dia Mundial do Vegetarianismo.

Como não somos muito dos dias disto e daquilo, vamos é fazer prática diária deste regímen. Ao mesmo tempo vivamos a fraternidade com todas as pessoas sejam quais forem os seus regímenes: omnívoro, vegetariano, macrobiótico.

 

Para além da História:

Há quem fale que, no ano 2050, vamos ser todos vegetarianos.

Será?

Não me parece. Tudo tem o seu tempo.

Aqui estamos numa área que já não é científica, no campo das previsões, quase futurologia e todo o cuidado é pouco.

Analisando a evolução cósmica, o actual estado da humanidade, as mudanças actuais, aumento dos vegetarianos, mas aumento do consumo de carne, parece um paradoxo; os problemas graves ambientais, etc., etc., tudo leva a crer que, durante este século, lá para o final, provavelmente o número de vegetarianos será mais de 50% da Humanidade.

 

Sociedades Vegetarianas em diversos Países

Nota de abertura

Dentro dos nossos conhecimentos vamos inserir algumas das Sociedades, das Associações ligadas a esta filosofia humanista, de diversos países, praticamente em todos os Continentes.

Quanto à ordem, nem alfabética, todas têm o seu valor. Apenas vamos começar pela Grã-Bretanha, porque a mais antiga tem a sua sede nesta zona da Europa; segue-se a Alemanha, porque foi, neste país, que houve o primeiro Congresso Mundial de Vegetarianos, os restantes países, todos com o seu valor nesta dinâmica, vão sendo mencionados, e como se diz: os últimos são os primeiros.

 

Grã-Bretanha

Em 30 de Setembro de 1847, era fundada a Associação Vegetariana mais antiga do Mundo, pelo menos que saibamos. Seu nome The Vegetarian Society, embora seja verdade que já, em 1843, neste país, tenha havido a criação de uma associação sobre esta área.

A partir daqui foram criadas numerosas associações mais ou menos ligadas a esta em diversas localidades desde Manchester, Liverpool, Mester, Glasgow, e assim por diante, num país onde este regímen é bem querido e cada vez está mais forte em todos os níveis.

Aí estão elas desde Londres até Edimburgo, Bristol, Cambridge, Oxford, outras ligadas ao desporto; até que, em 1889, é fundada a União Federal Vegetariana para congregar as diversas sociedades.

Em 1892, é criada a Sociedade Vegetariana da Escócia.

Aliás, desde 1847 até hoje algumas dezenas de sociedades vegetarianas têm sido criadas, neste país, um exemplo para todos os outros povos.

Todas as pessoas têm o seu valor; muitas delas nem sabemos os seus nomes; por vezes até são essas que mais têm contribuído para o real progresso da humanidade, permitam-me, porém, lembrar que Gandhi foi um dos sócios, nos finais do século XIX, da Associação de Londres.

 

Alemanha

Outro país, onde este movimento tem sido alvo de uma positiva dinâmica; outro exemplo, para todos os povos.

Como se sabe, foi na cidade cultural Dresden, a Florença do Elba, Património Mundial, que teve lugar o primeiro Congresso Mundial Vegetariano, em 1908, precisamente no mesmo momento em que se reuniam os Congressistas do Movimento Esperanto, em cujo seio o vegetarianismo era filosofia de vida.

Deixemos este tema de Congressos para mais adiante.

Nesta cidade histórica, existia já uma Associação Vegetariana com dinamismo, como instalações hoteleiras vegetarianas.

A primeira associação vegetariana alemã data de 1867, tendo como sede a cidade de J. S. Bach, de Goethe, Leipzig. Inscreve-se como membro da União Europeia Vegetariana, (EVU). Em 1889, os vegetarianos de diversos países reúnem-se na maravilhosa cidade de Colónia, junto às Ninfas do Danúbio, num Congresso Internacional.

Entretanto, a dinâmica vegetariana na Alemanha espalha as suas sementes, surgindo Associações Vegetarianas em outras localidades desde Berlim, Hamburgo, onde se realizou um novo Congresso Internacional, em 1932, até Hanôver e Munique.

Mais tarde, surgem Grupos Associados em Karlsruhe e Estugarda.

É criada a União Vegetariana Alemã, e só, em 1960, surge de novo, neste país, mais um Congresso Internacional, em Hanôver e Hamburgo.

Entre os corpos eleitos, surge como vice-presidente, Ângelo Guimarães Costa Cabral, pela Sociedade Portuguesa de Naturalogia.

Os centros avançam, a cidade de Ulm é uma das que entra para a História do Vegetarianismo, na Alemanha, incluindo pela Organização do Congresso em 1982.

Entre outras Sociedades Vegetarianas temos a Fundação Samara, com sede em Bad Grund; A Iniciativa Vegetariana, em Amelimghausen; Schutzer der Erde em Esselbach.

No ano 2008, em que estamos trabalhando com mais profundidade para a edição desta obra, decorrerá o Congresso Internacional em Dresden, comemorando o primeiro Centenário destes Encontros Fraternos Universalistas.

 

Suiça

No país, pátria de Bircher-Benner, também aqui associações vegetarianas dinamizam este regímen, unidas na Associação Suíça para o Vegetarianismo, (ASV), com sede em Neukirch; em alemão, (SVV)

 

Áustria

Entre outras, temos A União Vegetariana Austríaca, fundada, em 1970, com sede, em Graz, cidade histórica, relativamente próximo de Viena, onde está localizada Vegane Gesellschaft da Áustria.

Também em Linz, em Salzburgo e em Innsbruck existem Grupos vegetarianos.

 

Holanda

Estamos noutro país onde este regímen está mais difundido e isso também se verifica pelos Congressos Internacionais que nele têm sido realizados, em 1950, 1971 e 1994, estes dois últimos, em Haia.

Segundo dados mais ou menos dignos de crédito haverá, neste país, mais de 800 000 vegetarianos.

A Associação Vegetariana Holandesa, que está referida no Capítulo VI, sobre a Comunicação Social e o Vegetarianismo ou vice-versa, ela difunde, por diversos meios, os ideais deste regímen.

É fácil comer vegetariano em Amesterdão.

 

Espanha

Outro país onde muito se tem lutado para o progresso do vegetarianismo.

Médicos e não só têm difundido estes ideais, em tratamentos e na criação de bons produtos alimentares, como os da Casa Santíveri, em Barcelona.

Foi, em 1905, que se criou a primeira Sociedade Vegetariana em Espanha; desde então, surgiu em Valência a revista Hélios; é criada a Associação Naturista Alicantina; em 1923, a Sociedad Naturista de Alcoy.

Antes da guerra civil ainda funcionaram a associação naturista Fruta y Libertad, em Madrid e a Sociedad Naturista de Barcelona.

Entretanto, Franco proíbe as sociedades vegetarianas.

Sem comentários.

Contudo, tudo muda, e Franco abre as portas e, em várias cidades se formam associações vegetarianas. Em 1963, realiza-se, em Barcelona, o Congresso Internacional de Vegetarianos.

No ano seguinte, forma-se a Federação Naturista Espanhola que tem procurado unir diversas associações espalhadas por este país.

 

Bélgica

Neste país, fundou-se a primeira sociedade, em 1897, tendo organizado um Congresso Internacional, na sua capital, em 1910.

 

Nigéria

Um passeio até África onde embora com muitas dificuldades, contudo, também neste continente martirizado, os ideais vegetarianos estão começando a florescer.

Neste país, em 2007, organizou-se um Congresso dos Vegetarianos Africanos, oriundos de Serra Leoa, Mali, Ghana, Togo, entre outros, sob a dinâmica da Sociedade Vegetariana da Nigéria.

 

Uganda

Outro país africano onde este movimento está em vias de desenvolvimento com a criação do Centro da Comunidade Vegetariana.

 

Zâmbia

Aqui, eis a Sociedade dos Vegetarianos.

 

Kénia

Surgiu a Acção Vegetariana de Riamarabu, entre outras associações.

 

Austrália

Neste grande país eis que, já em 1886, foi criada Australian Vegetarian Society.

Em 1962, é formada a Sociedade Vegetariana do Sul da Austrália.

 

Rússia

O maior país do mundo tem a sua própria dinâmica, tendo criado a sua primeira sociedade, em 1901.

Com sede em Moscovo existe a Sociedade Vegetariana da Eurásia, ou este país não ocupasse os dois continentes: Europa e Ásia.

Por isso, em 2001, aqui se comemorou o primeiro centenário deste movimento libertador. Desenrolou-se em São Petersburgo, cidade da sua fundação.

Contudo, entre a sua história consta que desde o século XV já havia defensores deste regímen por ideais mais ou menos religiosos.

Também na área da saúde tem havido progressos neste sector, com investigações e tratamentos.

 

Ucrânia

Outro país eslavo onde esta filosofia ganha cada vez mais adeptos.

Como associação principal a União Vegetariana Ucraniana.

 

Itália

Também, aqui, desde o século XIX há toda uma dinâmica nesta área, mais precisamente, desde 1899.

Actualmente, entre outras, temos: A Sociedade Vegetariana Italiana e a Sociedade Científica de Nutrição Vegetariana, esta, com sede em Milão, e ainda a Associação Vegetariana Esperantista Tutmonda, com sede em Roma.

 

Canadá

No ano 2000, foi organizado neste país um Congresso Vegetariano Internacional, na cidade de Toronto.

Aliás é nesta cidade que tem a sede a Associação Vegetariana de Toronto.

 

República Checa

Vem desde 1891 a criação da primeira sociedade vegetariana que tem a sede na sua histórica capital com o nome de Sociedade Vegetariana Checa.

 

Roménia

Desde 1991 que existe uma sociedade vegetariana neste país, com sede em Bucareste.

 

Irlanda

Vem de 1890 o movimento vegetariano neste país.

Além da Sociedade Vegetariana da Irlanda, com sede em Dublin, temos ainda uma outra ligada ao movimento esperantista com sede em Offaly.

 

Singapura

Também, neste país, encontramos a Sociedade Vegetariana de Singapura.

 

Uruguai

Estamos na América do Sul, onde este movimento também tem florido.

Lá está a União dos Vegetarianos do Uruguai, entre outras.

 

Brasil

O maior país deste continente está numa fase de grande abertura para esta filosofia.

Neste momento, diversos Grupos Vegetarianos estão espalhados por vários Estados.

Em 2003, neste país da lusofonia, e de enormes potencialidades, fundou-se a Sociedade Vegetariana Brasileira. Desde então, intensificou-se a dinâmica vegetariana.

Em 2006, foi organizado pela União Vegetariana Latino-Americana e pela Sociedade Vegetariana Brasileira o primeiro Congresso Vegetariano Brasileiro e Latino-Americano na cidade de São Paulo.

O lema foi muito bem escolhido:

Paz para todos os Seres: Por um Mundo Pacífico, Saudável e Sustentável.

Esperamos que estes grandes objectivos sejam cada vez mais concretizados para bem de todos.

 

México

Eis aqui a Sociedade Vegetariana do México.

 

Argentina

Outro país onde tem havido uma boa dinâmica. Surge-nos a Sociedade Naturista de Buenos Aires.

 

Índia

Neste país enorme e populoso quanto mais se cultivar este regímen que em parte está ligado à sua cultura ancestral, melhor será para todos os indianos, como para a Humanidade.

Sabemos que há uma nova dinâmica para avançar com esta filosofia da não-violência de tanto agrado de Gandhi.

Em 2006, teve lugar em Goa, onde há uma cultura universalista, mistura da indiana com a portuguesa, o 37º Congresso Mundial de Vegetarianismo.

Antes, porém, já nos anos de 1957 e 1967, como, em 1977 e 1993, tiveram lugar Congressos Mundiais de Vegetarianismo em cidades muito importantes desde Bombaim até Deli e Calcutá.

Temos esperança que este grande país saiba progredir nesta área como o tem feito em outras desde o cinema até à informática.

 

Tailândia

Estamos perante um dos países que, na Ásia, tem contribuído para o avanço do vegetarianismo. Nessa actividade, consta a organização do Congresso Internacional, em 1999. E tudo isso graças a diversos apoios desde académicos a políticos, incluindo da União Vegetariana da Tailândia.

 

China

Neste país onde se está a assistir a um aumento do consumo de carne, que tinha como hábitos alimentares regímenes muito próximos dos vegetarianos, esperamos que saibam aprender a renovação, pois doutra forma, os problemas de saúde e ambientais serão cada vez maiores e mais perigosos.

 

Estados Unidos da América

Falar sobre a história dos Centros Vegetarianos neste grande país seria necessário um volume.

Foi o segundo a ter a sua Sociedade Vegetariana, desde 1850. Nele têm sido realizados diversos Congressos Internacionais, como encerra dezenas e dezenas de Centros Vegetarianos, espalhados por todo o país.

Basta ler o número Vegetarian Voice, revista que surge no Capítulo VI, para ver a enorme quantidade de Centros Vegetarianos.

São quatro páginas do tamanho quase A4, em letra pequena, e só com a informação do nome, morada e telefone, por vezes e-mail.

E todavia, data de 2001, porque, agora, mais serão.

Esperamos que este país que tem uma enorme responsabilidade, face ao seu valor em diversas áreas, saiba ser pioneiro nesta área para seu Bem e para bem de toda a Humanidade, de acordo com os nobres ideais de Fraternidade e Liberdade.

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Terminamos, conscientes que este trabalho está muito incompleto, não mencionámos diversos países onde o vegetarianismo tem, além de Sociedades antigas, uma dinâmica positiva desde Israel, Suécia, Eslováquia, Hungria, Grécia, Noruega, Dinamarca, Polónia, Eslovénia, Croácia, Sérvia, entre tantos outros, como a África do Sul até ao Chile; do Paraguai à Nova Zelândia, da Indonésia à Arménia; da Coreia ao Japão; da Malásia ao Butão; como em outros países do Médio-Oriente e nos diversos Continentes, numa prova do universalismo desta filosofia de vida.

Para estes o nosso muito obrigado e as nossas desculpas, mas este trabalho é tão só um Ensaio.

 

Organismos Internacionais Vegetarianos

De acordo com os ideais socráticos, sempre pronto a aprender e consciente de que nada sei, pensamos que a primeira Organização Internacional terá sido a União Federal Vegetariana, fundada em 1889, tendo organizado o primeiro Congresso na cidade de Colónia, Alemanha.

Esta organização terá sido substituída pela União Internacional Vegetariana, (IVU), desde 1908.

 

Ao nível de Continentes existem:

1) União Vegetariana Europeia, (EVU) criada, em 1985, no 1º Congresso Vegetariano Europeu na Itália;

2) União Vegetariana da América do Norte, constituída, em 1987, em Toronto;

3) União Vegetariana da Ásia, fundada em 1999, no ano em que o Congresso Internacional foi realizado na Tailândia;

4) União Vegetariana Latino-Americana, fundada em 2006.

 

Do Livro

Vegetarianismo, a Solução para uma Vida e um Mundo Melhor