O Movimento Rosacruciano

Santo António, Magno


(1195-1231)


Será sempre oportuno esclarecer que a Rosacruz é uma Escola de Pensamento e não uma Instituição Religiosa.

Contudo, tal realidade nunca colocou ou coloca qualquer obstáculo que não permita aos seus membros estarem unidos às Igrejas Cristãs e nelas participarem activamente.

No seu trabalho sob o título: “LUIS DE CAMÕES E A FILOSOFIA ROSACRUZ”, publicados nesta Revista, nºs 250 a 281, Francisco Marques Rodrigues no Capítulo XXIII, página 21, foca: “Os seguidores da filosofia dos Rosacruzes viviam na Igreja Apostólica Romana e em mosteiros, mas não aceitavam os seus dogmas! Entre eles havia muitos sacerdotes e até bispos! (Note-se, ele, em sua vida anterior, foi um deles, bispo de Cochim, D. Frei José de Soledade, 1740-1825) e acrescenta: “S. Francisco de Assis e Santo António de Lisboa pertenceram aos Rosacruzes.”

Apesar desta afirmação vinda de um Mestre, todavia, todos nós estudantes desta Escola temos o dever de seguir os ensinamentos tanto deste como de Max Heindel e de outros, que recomendam que devemos pensar, investigar e discernir por nós, jamais sermos autómatos, aduladores ou os seguirmos sem usarmos o nosso livre-arbítrio, ou a nossa vontade própria.

Por isso, este estudo, como outros, procuram seguir estas directivas, muitas das vezes, como S. Tomé, temos de ser exigentes na busca da Verdade.

No caso presente, lemos, estudámos, investigámos várias fontes desde as obras de Max Heindel e de outros vultos rosacrucianos, até à revista “Messaggero di Sant’António”, edição da Basílica de Pádua, Itália, e, essencialmente, as obras ligadas aos seus magistrais sermões.

Ao longo destes estudos, fomos vendo influências desde pensadores antes de Cristo como Pitágoras, Virgílio, Ovídio; ou contemporâneos como Séneca, Filon; ou posteriores, desde Orígenes, S. Clemente de Alexandria, Sócrates, Platão, S. Isidoro de Sevilha, S. Bernardo, Santo Agostinho, S. Boaventura, enfim, a vasta sabedoria antoniana, neoplatónica, de profundo misticismo cristão rosacruciano, foi alicerçada em doutos estudos e em saber experimentado, embora esta sua vida tenha sido limitada no tempo, mas trabalhou e semeou muito mais que a maioria de todos nós em várias vidas...

Da vasta análise destas fontes, escolhemos, apenas, 5 assuntos!!!

Começamos pelo tema: “A Morte”, algo que todos nós, mais ou menos tememos...O que nos diz António? Lembra-nos que devemos ter sempre presente em nosso coração, o Criador, pois o “cordão prateado” ou seja a permanência da vida no Mundo Físico pode terminar desde que “se parta e saia o espírito, o fio de oiro, para o local donde veio”, a nossa verdadeira Pátria. Para os que estudaram Max Heindel estas mensagens são claríssimas. Parece que estamos lendo desde o “Conceito Rosacruz do Cosmo” até aos Temas Rosacruzes, Volume II, Capítulo V, em que foca “O Cordão Prateado e os átomos sementes”.!!! A sintonia é perfeita...

Quando este “doutor da Igreja” foca “As muitas moradas”, esclarece que, após nos libertarmos para sempre do Mundo Físico, nossos corpos “serão luminosos” e assim por diante como que nos falando sobre o corpo-alma, o traje nupcial, tal como M.H. que é tecido por meio de pensamentos puros e positivos e, mormente, pelo serviço amoroso e humilde.

Logo que analisa “Os Três aspectos da alma” eis que António, Magno, reconhece que há íntima ligação com a Trindade, tal como M.H. foca sobre a actividade do tríplice espírito sobre o tríplice corpo que gera a tríplice alma, numa união com O Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Ao considerar o ser humano como um Microcosmo, o clarividente voluntário António sabe que existe “algo” de comum a todas as ondas de vida desde a do mineral até à nossa, hominal, tal como defendem os outros rosacruzes desde Paracelso até Max Heindel.

Para o nº 5 escolhemos o tema: “O Corpo humano”, o templo do deus interno, parte do Absoluto, do Deus Uno e Único. Aqui, António, Iniciado Rosacruz, esclarece que a arca de Noé é semelhante ao nosso corpo, explicando com profundidade, essas afinidades, incluindo que os 5 compartimentos simbolizam os 5 sentidos, paladar, olfacto, tacto, ouvido e vista, segundo a ordem da sua análise.

Na obra “Iniciação Antiga e Moderna”, edição da F.R. Portugal, 1999, página 45, Max Heindel foca que: “Encontra-se oculto pela arca - o próprio corpo físico”. Mais um caso de perfeita sintonia!

Numa análise algo sociológica, vamos até à obra de Padre António Vieira, outro rosacruciano, ao seu “Sermão de Santo António aos Peixes”. Eis que lhe chama: “o Grande António” e não como vulgarmente dizemos: “nosso santantoninho” ou “Santo Antonino” e assim por diante, numa visão algo infantil, embora pareça muito “familiarzinha”. Vieira indigna-se com este culto, quando chamamos a outros com muito menos valor real de “magnos”. Sim, chamamos desde Alexandre, Magno; Carlos, Magno; Gregório, Magno e a Este Grande Génio que, embora de novo tenha vindo ao mundo físico, em Lisboa, e tenha nascido para o “santo etéreo monte”, em Pádua; todavia, pela sua vida e obra, ele é universalista.

Ao teólogo profundo, ao místico cristão - rosacruz, ao “doutor da Igreja”, chamemo-lo de Magno. Libertemos o nosso imaginário, o nosso inconsciente colectivo dos velhos do Restelo ou da manhã de nevoeiro, das dependências retrógradas. Sigamos o seu exemplo: Servir com amor e humildade.

Como Ele nos disse: façamos a Vontade de Deus, ou seja cumpramos as Suas Leis.

 

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