Miguel Ângelo Buonarroti, O Filho da Luz


Quando em 1970 e pouco depois do nascimento de um filho ao qual lhe foi dado o nome de Miguel Ângelo, fomos receber uma das muitas lições dadas pelo nosso Mestre Amigo, F.M.R. Num dos momentos da conversação F.M.R. lembrou que os nomes não são dados por acaso, etc, e que tínhamos dado um que era de um dos arautos da Escola Rosacruz.

Acreditámos, como aluno. Todavia, a costela de S. Tomé obriga-me a crer como este apóstolo, o que aliás era também seu conselho como de Max Heindel para cada qual investigar e pensar por si.

Por isso, quando visitámos a Itália os objectivos eram essencialmente obter dados sobre os rosacrucianos desde Dante, a S. Francisco de Assis, Santo António, Leonardo da Vinci, Miguel Ângelo, entre outros.

Um dos locais que mais ansiávamos analisar e contemplar era a Capela Sixtina. Só que para analisar esta obra tão grandiosa seria necessário muitos meses...mas deu para tomarmos notas valiosas.

Ressaltam logo duas: os painéis centrais são 27; juntando os laterais dá o número 33; Miguel Ângelo Buonarroti, O Filho da Luzambos encerram o nº 9, esse número cabalístico ligado à Humanidade, desde os eleitos 144 000, até às 9 Iniciações Menores. E isto leva-nos até ao poeta rosacruciano, Dante, que muito influenciou este Filho da Luz, o qual em sua obra, “A Divina Comédia”, usa este número, com a divisão em 33 cantos, ou seja 3x 3= 9, por sinal a idade com que Jesus Cristo nasceu para o santo etéreo monte.

Entre as figuras que Miguel Ângelo pintou, neste tecto, eis que na que podemos dar-lhe o nº 25=7, está a famosa Sibila Délfica. Este retrato tem sido alvo de muitas fotos, de muitas impressões, de análises: mas não há um pormenor esquecido no seu pé esquerdo:6 dedos? Tal como fez Rafael nos quadros: no Casamento Místico dos altos Iniciados José e Maria em que S. José tem seis dedos também no mesmo pé, como nos relata Max Heindel na obra Iniciação Antiga e Moderna (ver página 69 da edição da F.R. de Portugal, 1999). Em Delfos houve o culto a Apolo, o Sol, o Deus da Luz, e as Sibilas deste antigo santuário tinham poderes proféticos. Note-se ainda que o quadro nº 9 foca Noé embriagado, numa ligação esotérica profunda e o que representa o seu sacrifício está no nº 7; por sua vez, o dilúvio universal, no nº 8. Ficamos por aqui e vamos até à sua escultura “A Pietá” de Santa Maria del Fiore em Florença. Cada qual tem a sua interpretação desta enigmática obra. Tudo leva a crer que Miguel Ângelo se representa a si mesmo ou como sendo Nicodemos ou José de Arimatéia, segundo várias opiniões. Para nós surge-nos como uma mistura destas duas personagens carregadas de rico simbolismo esotérico; ele é Nicodemos, em grego, “o conquistador do povo”; que revela grande coragem na defesa de Cristo contra a Sua condenação (João 7-50-52) e que ajuda José de Arimatéia na colocação do corpo de Jesus no sepulcro. Ora este foi quem recolheu o sangue de Jesus Cristo no cálix, o Cálix do Santo Graal, cuja simbologia está intimamente ligada com o Amor Puro dos Cavaleiros do Graal, Ordem Iniciática da Idade-Média, à qual esteve ligado Jesus. O mesmo sucedeu com a Ordem dos Cavaleiros da Távola Redonda, do enigmático Rei Artur. Em ambos, surge o símbolo da Rosa e da Cruz.

Na realidade este Filho da Luz e do Fogo soube levar pesada cruz tendo como Ideal o verdadeiro e Único Cristo que veio para todas as religiões e para todos os povos; quão grande terá sido a sua dor incluindo a vida não lhe ter permitido dar o seu profundo amor de Vénus na dinâmica positiva, sublimando-o totalmente no de Urano, platónico, à sua amada, a marquesa Vottoria Calonna, mulher progressista, em cuja casa reunia pessoas de elevado nível cultural e espiritual, incluindo o português Francisco de Holanda que viria a escrever algo sobre este génio imortal. Quantas discussões sobre vários temas transcendentais não terão sido realizadas em sua casa? Temas que a inquisição jamais poderia autorizar, antes tudo queimaria, como as obras dos rosacrucianos Picco del Mirandola, ou de Marsílio Ficino, defensores da lei do renascimento, estas já conhecidas de Miguel Ângelo em casa de Lourenço, o Magnífico.

E porquê a célebre estátua de Moisés que contemplámos como uma criança… e nos lembrámos da famosa frase: “Fala Moisés”, pois porquê Miguel lhe colocou dois chifres no cimo da cabeça? Simboliza dois raios de Luz, defendem uns; mas não será muito mais? Quem iniciou e divulgou a doutrina do Cordeiro, uma Nova Religião, sendo o precursor de Jesus Cristo? Não foi Moisés? Com este profeta eis a Idade de Áries, o fim do culto a Taurus e ao mesmo tempo a abertura ao caminho Iniciático, onde as duas glândulas, epífise e hipófise se podem unir criando o caminho para o canal da Luz do clarividente voluntário.

Enfim, resta-nos focar um pouco da sua poesia, tão unida à de Dante, com uma concepção cosmológica do “non finito” que se espelha em todas as suas obras.

Ao escultor, pintor, arquitecto, engenheiro, poeta, ao homem honrado, virtuoso, amante da liberdade, da Justiça, da Verdade, independente e grato, mas não serviçal, eis o cristão rosacruciano que derramou os perfumes das rosas que continuam elevando a humanidade ao culto do Belo, da Libertação, da Luz, do Amor.

 

NOTA: Estes dados foram publicados no Informativo Nº1 de Fraternidade Rosacruz – Centro de Santo André – Brasil. Cada qual poderá visitar a página deste Centro em: http://fraternidaderosacruz.tripod.com

 

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