Ensaio
Sobre a história do
movimento rosacruciano


A finalidade da ciência alquímica

é produzir essências elevadas

e empregá-las, devidamente,

na cura das enfermidades.

Paracelso
(1493-1541)

Tradução livre de D. D. C.

 

Muito se tem escrito e falado sobre a Rosacruz, como acerca do seu movimento e dos seus membros. Em muitos casos, tem imperado a ignorância (mas quem de nós é omnisciente); noutros, dominam os fundamentalismos, os fanatismos, com todos os seus efeitos que vão desde a intriga, a calúnia, a maledicência, as perseguições mais ou menos veladas até a actos abomináveis; há casos, em que o orgulho intelectual não permite ver a Verdade, pois esta exige, mente aberta, de menino, humilde, sempre pronta para aprender, o que conduz a não saberem discernir o trigo do joio e pior ainda, nos casos, em que o ódio e a mentira dominam, eis quadros que ofuscam a nossa mente.

São muitas as dúvidas como as más informações sobre a data do aparecimento do símbolo Rosacruz, do seu nascimento. Uns consideram que terá sido com os manifestos parisienses de 1622; outros com as obras de Johann Valentín Andrea, Ecos da Fraternidade, Confissões e Núpcias Químicas de Christian Rosenkreuz, respectivamente divulgadas em 1614, 1615 e 1616.

Porém, o símbolo Rosacruz foi entregue, subtilmente, a Hirão Abiff, antes de ser assassinado, no momento em que recebeu o baptismo do fogo, dado o fracasso da construção do Templo de Salomão, para unir os descendentes de Caim (os artistas, os cientistas, os artesãos) e os de Seth, os sacerdotes.

Quando reencarnou em Lázaro (S. João Evangelista), Cristo, o Leão de Judá, concedeu-lhe a imortalidade com o nome de Cristão Rosacruz. Por isso, na parte final do evangelho de S. João consta que será imortal e que permanecerá até que Ele volte. Ao despertar em Lázaro, o malhete que Hirão tinha recebido, tomou a forma de uma cruz e na nova palavra que estava no disco, surge gravada uma rosa, símbolo do Amor, da Luz, da Liberdade, da Fraternidade, da Harmonia, da Beleza.

 

Hiranm Abiff

Hirão Abiff

 

No começo do século XIV reencarnou com o nome de Germelshausen, na Turíngia, Alemanha. Depois de ser monge, de ter viajado desde o Médio Oriente até Marrocos, entrado na parte Sul da Península Ibérica, onde fundou a Ordem dos Alumbrados ou Iluminados, na região da Andaluzia, onde mais tarde estudou Luís de Camões, escola que continua ainda algo enigmática para algumas correntes académicas, regressa à Alemanha. Aqui se juntam outros monges iniciados atingindo o número de 13. Estava criada a Ordem Rosacruz, tendo como cabeça, Christian Rosenkreuz.

Estes Irmãos são conhecidos por Maiores, devido ao seu grau de desenvolvimento, possuindo todas as iniciações menores e as 4 maiores, estes são os Rosacruzes. Max Heindel chama atenção para que nenhum estudante se considere como rosacruz, ele mesmo, embora com o grau evolutivo que possuía, era Irmão Leigo.

O caminho da Iniciação Rosacruz, em traços muito breves começa pelo Curso Preliminar de Filosofia Rosacruz, passando depois a Estudante Regular, durante pelo menos dois anos; Provacionista, durante um espaço de tempo não inferior a 5 anos; Discípulo; Irmão Leigo que tem uma ou mais iniciações menores; Adepto que tem todas as iniciações menores e uma maior; Irmão Maior que são graduados com as 4 Iniciações Maiores.

Contudo, que fique bem claro, nenhuma verdadeira Escola de Iniciação dá títulos, ou honras, anéis ou outras insígnias, não existem cerimónias exteriores iniciáticas, não levam dinheiro pelos seus ensinamentos. A iniciação é um processo interno alquímico em que, devido a muito serviço amoroso e modesto e sábio estudo e experiência, se produzem transformações nos corpos físico, vital, de desejos e mental. Em alguns casos, os iniciados mudam de nome, como sucedeu com Simão que passou a Pedro; de Saulo, para Paulo; Fernando para António e assim por diante.

A Rosacruz é uma Escola de Pensamento, não é uma Religião. Os membros da Fraternidade Rosacruz de Max Heindel podem continuar nas suas religiões de cristianismo exotérico, nada é imposto, nem há secretismos, outro erro muito difundido. Como é evidente, o elevado conhecimento não pode ser transmitido aos que não sejam dignos dele, aos que podiam usá-lo para seu próprio proveito ou para dominar.

No seu seio não podem existir pessoas que sejam profissionais de astrologia, ou de quirologia e outras áreas afins, nem que se dediquem ao espiritismo ou mediunidade.

O lema dos seus membros deve ser: Servir com Amor e Humildade.

Como bem escreveu Francisco Marques Rodrigues, os ideais rosacrucianos surgiram entre os nazireus, ou nazarenos, entre os essénios, de cujas Ordens fizeram parte alguns profetas do Antigo Testamento. São José e a Virgem Maria eram essénios e Jesus viveu entre eles até aos 30 anos.

Investigando um pouco mais, vemos que estes ideais estavam, em parte, na Escola Pitagórica, como na de Hipócrates, o Pai da Medicina; como na de Sócrates e mais tarde entre os Alquimistas, como houve iniciados rosacrucianos nas Ordens dos Templários, como da Ordem de Cister, nos Beneditinos, de Cluny, de Cristo, não só como construtores, daí, nos monumentos do estilo gótico estar a rosácea, em forma de rosa, sobre a cruz latina da Igreja, ou seja o símbolo desta Escola, como também escritores, médicos, músicos, agrónomos, etc.

Portanto esta dinâmica vem desde tempos mais antigos ao dos opúsculos, por isso, os pedreiros livres serem chamados de Phree Messen, ou seja os filhos do Sol, os filhos da Luz, termos derivados de palavras egípcias com este significado, e caso interessante, na cultura persa, a palavra Rosanan significa os da Luz, com ligações a rosa.

Por isso, a rosa, como símbolo, esteve consagrada não só a Vénus, como a Apolo, o deus do Sol.

Quanto mais pessoas aderirem ao caminho iniciático rosacruciano, mais rápido será a libertação da Humanidade.

A escolha é de cada qual e deve ser totalmente livre, mas responsável, porque a quem muito é dado, muito será pedido.

No princípio do século XX, face ao desenvolvimento mental de muitos seres humanos, os Irmãos Maiores deliberaram divulgar publicamente alguns dos ensinamentos, até então, algo escondidos, por prudência, cabendo a Max Heindel a missão de os divulgar, face ao seu elevado e puro amor.

Foi então criada a Fraternidade Rosacruz com o seu nome, mais precisamente, em 1909.

 

Mount Ecclesia

 

Foi eleita a área, perto de Oceanside, Califórnia, U.S.A., a qual foi dado o nome referido.

Nas diversas obras de Max Heindel podemos ler os motivos e os fins superiores desta escolha, desde o Conceito Rosacruz do Cosmo até Mistérios Rosacruzes.

 

Mount Ecclesia

 

A Luz brilha nas trevas, eis a mensagem que extraímos deste trabalho de Miguel Olguin, a quem agradecemos a autorização para o inserir.

O lançamento da pedra fundamental do Santuário Ecclesia, com 12 faces, relacionadas com as 12 Constelações Zodiacais, foi a 19 de Novembro de 1914, com a presença de várias pessoas entre as quais Max Heindel, sua esposa, Augusta Heindel, o arquitecto Lester A. Cramer.

Mais dados no item seguinte:

 

Fraternidade Rosacruz de Max Heindel