D. Fernando II, o Rei Artista

(1816-1885)


Oriundo de Saxe-Coburgo-Gotha, Alemanha, país onde têm vivido muitos rosacruzes, em cujo solo o movimento rosacruciano mais progrediu; perto de Berlim, está situado, no plano etéreo, o Templo da Ordem Rosacruz, o príncipe D. Fernando veio para Portugal para casar com a rainha D. Maria II, o que sucedeu em 9 de Abril de 1836.

Possuidor de uma vasta cultura, Portugal deve muito a este monarca ligado ao movimento rosacruciano.

Não é só a construção do maravilhoso Palácio da Pena, na Baviera portuguesa, mas também em muitos outros aspectos da sua vida e obra.

Sem inclinação para o comando de forças militares desorganizadas e indisciplinadas, a sua mentalidade estava profundamente absorta de ideias ligadas às artes, onde Portugal tanto estava necessitado.

As artes são os meios valiosos para o progresso real de cada pessoa e de um povo.

Por isso, além de se dedicar desde a pintura à música, como bom rosacruciano, filho de Caim, descendente de Hirão, foi o mecenas que este país tanto precisava, não só ajudando ao restauro de vários monumentos, alguns em mau estado, como o Mosteiro da Batalha que já devia ter honrado este nobre alemão que escolheu Portugal para seu país adoptivo, e ainda o Convento de Mafra, o Convento da Ordem de Cristo, em Tomar, o Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, como patrocinando os estudos de vários portugueses em outros países, graças aos seus bens avultados, demonstrando o seu carácter altruísta, um exemplo para alguns que têm títulos de comendador. Entre eles, Viana da Mota, que lhe dedicaria um Hino e uma pastoral ao Parque de Sintra, a sua, nossa, Baviera, como Columbano Bordalo Pinheiro, Manuel Bordalo Pinheiro e outros, como adquiriu muitos objectos de arte, evitando que fossem para outros países, mandou restaurar quadros, como as Tentações de Santo António, e ainda comprou a Pena, em Sintra, onde iria construir o seu Palácio, uma obra-prima onde vários estilos se misturam, qual arte universalista, rumo ao V Império.

Outra qualidade, falava e escrevia muito bem no idioma de Camões, algo difícil para alguns alemães, afirmamo-lo, por experiência própria, pois o nosso professor de alemão, um amigo de que nos recordamos, na Escola Luís de Camões, Lisboa, refugiado da II Grande Guerra Mundial, tinha dificuldades, trocando o feminino com o masculino, etc.

Almeida Garrett, face ao labor deste rei, escreveu: o abandono da arte portuguesa foi solucionado graças ao zelo de Sua Majestade, El Rei D. Fernando II, a quem tanto devem as artes e os monumentos em Portugal.

E que gratidão lhe temos prestado?

Urge preparar, devidamente, as futuras comemorações do segundo centenário do seu nascimento que será, em 2016.

Do mosteiro em ruínas de Nossa Senhora da Pena, por ele adquirido, manda edificar, como sabemos, um O Tritão - Palácio da PenaPalácio para rivalizar com os da Baviera alemã...

Restaura o Castelo dos Mouros, que terá sido construído, nos séculos VII a IX , sito numa altitude de 450 metros, ou seja: 4+5+0=9, um número cabalístico de grande valor; é interessante lembrar que o maravilhoso Palácio Nacional de Sintra está sito a 207 metros, ou seja, de novo o número 9.

Como botânico que era, um amante da natureza, qualidade que deve ter todo o rosacruciano, como todo o mundo, mandou vir diversas plantas dos actuais países de expressão lusófona, as quais enchem, hoje, os Bosques desta bela zona.

Todo este ambiente natural e arquitectónico produz um sentimento estético, romântico, de inigualável beleza, qual Castelo do rei Artur, e onde se encontram os diversos estilos antigos e modernos, de várias culturas, enfim, um Castelo Universalista, uma UNESCO das artes.

Muito já tem sido escrito sobre este Palácio nas suas ligações à Rosacruz de que era membro.

Recordamos que os símbolos têm diversas interpretações. Na fachada onde está o Tritão com as serpentes, Janela manuelina - Palácio Penaem nosso ver, isso comunica que temos de saber vencer as provas da gruta de Vénus para podermos entrar no nosso Templo Interno, onde a Luz divina brilha. Está entre a janela e a porta.

Do lado oposto está uma cópia da famosa janela manuelina, com as suas mensagens libertadoras, em que a Luz e o Amor se unem para criar um novo ser.

Na entrada, a rosa, símbolo que está em diversos locais, incluindo na decoração, como que dizendo: entra amigo, mas com Amor e Luz.

Este monumento como a paisagem circundante é um retiro das mil maravilhas, um canto dos Entrada para o Palácio da Pena, em Sintrapoetas, uma composição à Paz, à Contemplação, um Hino à Liberdade e ao Amor.

Se Portugal tem, no Património lusíada, a célebre Custódia de Belém, a ele devemos, pois andava “perdida”...

Por tudo isso, o poeta, António Feliciano Castilho lhe deu um cognome, bem merecido: O Rei Artista. Artista que foi, mas essencialmente, pelo que as Artes portuguesas lhe devem.

Finalmente, Fernando II era um democrata, percorria as ruas e não só, como um cidadão vulgar....Depois da morte da rainha, sua amada esposa, casa com uma cantora Elisa Hensler, que viria a ser a condessa de Edla, título dado pelo rei da Prússia.

Para ele, o que importava era o amor e não as condições sociais.

 

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