Damião de Góis

(1502-1574)


No período seguinte a Paracelso ter visitado Portugal, floriram alguns agentes culturais, mais ou menos ligados, ao movimento rosacruciano. Apenas, focamos os que, pelas nossas investigações, contribuíram para o progresso dos ideais desta Escola.

Desde cedo que Damião de Góis foi encarregue de missões importantes, prova evidente, das suas capacidades adquiridas em vidas passadas; apenas com 21 anos, em 1523, está, em Flandres, como escrivão da Feitoria. Aproveita para ir até Friburgo conhecer, pessoalmente, Erasmo, amigo de Paracelso, que, em, 1527, o convidaria para ser professor de Medicina na Universidade de Basileia.

Mais tarde, em 1531, foi destacado para Dinamarca, aproveita e passa por Witemberg para conhecer Lutero e Melanchton. Volta para Antuérpia, fixando-se em Lovaina.

Damião não é pessoa para estar parada; suas aspirações pelo saber, seus desejos de amar mais e melhor, levam-no para outras paragens. Como disse Paracelso: só se ama o que se conhece.

Sabendo que Santiago de Compostela era um dos locais onde havia a Escola Rosacruz, ei-lo caminhando até à cidade da estrela da Via-Láctea, ou Estrada de Santiago.

Com 32 anos, 1534, volta a Friburgo, depois de ter estado em Estrasburgo, e em Basileia, donde Paracelso já tinha saído. Naquela cidade, fica em casa de Erasmo, por um período de 4 meses. Quantas conversas com este seu amigo humanista, grande filósofo, sobre tudo um pouco, desde religiões até à Cosmologia rosacruciana.

Graças à sua maneira de ser, humanista, culto, diplomata, bondoso, granjeou muitas amizades em diversas cidades cosmopolitas.

Sua casa, em Portugal, também foi local onde recebeu os seus amigos portugueses e de outros países. Damião de Góis era um cidadão do mundo, como um verdadeiro português.

Uma das visitas foi a de Thurneyssen, colaborador de Paracelso, foi este que desenhou algumas das gravuras existentes em suas obras, algumas com símbolos da sua ligação à Rosacruz.

Tudo isso, aliado à inveja do padre Simão Rodrigues de Azevedo, conhecido desde os tempos em que ambos frequentaram a Universidade de Pádua, em 1535, como de outros caluniadores e informadores, gente da mais perigosa que existe, eis que, a seu tempo, irão começar as perseguições ao humanista Damião.

Depois de casar com uma flamenga, Joana van Hargen, em Lovaina, onde se matricula na Universidade, continua na busca da verdade.

Em 1540, sai a sua obra Fides, Religio Moresque Aethiopum, onde defende os seus ideais de ecumenismo religioso e de fraternidade, pontos de vista rosacrucianos. Conhecedor do cristianismo copta, ei-lo derramando as suas ideias, mistura de judaísmo, com outros rituais, desejando a união entre as diversas crenças sob a égide de Cristo.

Apesar de ser ainda nomeado guarda-mor da Torre do Tombo e de ter escrito a Crónica de D. Manuel e de D. João III, em 1571, é preso pela inquisição e no ano seguinte condenado a prisão perpétua no Mosteiro da Batalha até que acaba por receber um indulto, indo para sua casa, em Alenquer, onde nascera, em 1502.

Dois anos depois viria a nascer para mundos menos densos.

Porquê? Como?

Em breves traços, um pouco da vida e obra deste humanista que, por muito amar e saber, foi perseguido pelos senhores das trevas.

 

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