DO INFINITO


Do Infinito

Trata-se de uma Colectânea de Contos e Poesias em que colaborámos com dois contos.

São 22 autores em busca do INFINITO.

 

No Conto:

Giselle Dumont Reis, Delmar Domingos de Carvalho e outros.

 

Na Poesia:

De Emílio Lima a Guilhermina Ruivo.

 

Mais uma obra, dentro deste formato, da Editorial Minerva, Lisboa, Portugal, com Preâmbulo de Ângelo Rodrigues, Directório Literário.

 

Uma obra colectiva que encerra diversas ideias e vários ideais rumo ao Infinito.

Cada qual, com a sua individualidade, toma parte numa obra em que todos estão unidos pelo amor à Literatura, à Arte.

 

Seguem alguns dados da nossa autoria, ou que se referem a nós mesmos, e um dos contos.


Caricatura de Delmar, por um artista galego
Delmar visto por um artista galego

 

Dedicatória

À minha querida esposa, Mélita;

Às minhas netinhas e netinhos

Inês, Marta, Eduardo, João e Margarida.




O Jardim e a Horta da Marta


Logo à entrada lia-se: “O Amor é a solução para todos os problemas”.

Poucas horas passaram do galo ter cantado, quando um ex-cavaleiro de nome Hermes chega a este jardim e lê a sua mensagem. Tinha percorrido todo o mundo, aprendido todas as artes e ofícios, sofrido e amado profundamente, agora, apenas com uma velha túnica, umas sandálias e um alforge onde apenas restava uma côdea.

Olha para o seu interior e vê uma jovem, qual deusa reencarnada!

- Venho de longe, seus pais poderão dar-me pousada - disse o peregrino.

- Vou falar-lhes -retorquiu Marta.

Correu a casa e disse: - Está ali um nobre de carácter que pediu se lhe podiam dar uns breves dias de estadia em nossa casa, nem que fosse sob o alpendre.

Os pais de Marta, Ana e António, deram-lhe logo autorização!

Cheia de alegria, num instante, chega ao pé do peregrino: - Pode entrar - disse-lhe.

Poucos metros andaram e estavam junto à casa.

- Entre, caro irmão – assim falou Marta.

- Não vou para vossa casa, ficarei ali naquela arrecadação – respondeu-lhe.

- Nem pensar, a casa é sua – retorquiu.

Entretanto, surgiram os pais.

- Esteja à vontade, amigo – suba - disse, Ana, ao que António acrescentou: pode sentar-se na sala que já lá vou.

Hermes estava estupefacto por tanta amizade e confiança num desconhecido.

Só que Marta e os pais possuíam poderes de clarividência voluntária, sabiam quem era o novo hóspede.

- Bem, são horas de tomar o pequeno-almoço – diz-lhe Ana. – Obrigado, minha senhora, tenho aqui os restos dum pão – respondeu Hermes.

- Nem pensar – diz António.

A refeição constava apenas de fruta, eram todos frugívoros.

- Muito obrigado, já algum tempo que não comia destes deliciosos e purificadores alimentos – disse Hermes que acrescentou: - Sou vegetariano.

Os olhares de Marta e de Hermes cruzaram-se; entre eles havia harmonia cósmica, uma grande atracção. Ambos ficaram momentos a olhar um para o outro, olhos nos olhos.

- Bem, deve haver muito que fazer, disse, Hermes, acrescentando: -Hoje, a Lua está em Áries e é bom para tirar as ervas daninhas. – Sim, Caro Hermes, é precisamente o que vamos fazer na nossa horta, por métodos ecológicos, enquanto Marta vai para o jardim, onde o nosso amigo pode ir ajudá-la – informou António.

- Com enorme satisfação – respondeu Hermes.

Pegaram nas enxadas, nos sachos e ei-los prontos para o trabalho.

Marta e Hermes iam tirando as ervas com a ajuda destes instrumentos, num silêncio total em que apenas falavam os corações. Até que, em dado momento, Marta diz-lhe: vejo que sabe desta área como um mestre...

Não, cara Marta, somos apenas um aprendiz nesta Escola da Terra, resposta de Hermes e acrescenta: as flores são muito belas, irradiam belos perfumes; não admira, estão sendo tratadas por uma Ninfa mais bela que uma rosa.

- Agora, com a ajuda dum belo gnomo melhor ainda, mais lindas vão ser as suas cores – respondeu Marta, com um lindo sorriso.

- Viajei por muitos países, conheci muitas gentes, formosas damas, todavia, foi aqui, nesta encosta que vim conhecer a mais bela senhora que meus olhos já contemplaram. Tendes porte duma rainha, mãos duma fada, beleza duma Madona, feliz aquele que a desposar, será digno do maior tesouro, só que eu, um simples peregrino, como poderei ser digno de tão nobre senhora – proferiu Hermes.

- Tem a maior riqueza: amor e humildade, sabedoria e pureza – retorquiu Marta.

De novo os olhos cruzaram-se, as faces coraram, e Hermes acrescenta:

Nesse caso, será que não estarei a ser um intruso e a abusar da vossa hospitalidade, se vos disser que desde o momento que a vi, em meu interior falou a voz da intuição: ei-la, aqui está aquela que o meu coração escolheu, depois de muito tempo, neste ambiente bucólico vim encontrar a princesa que tanto ansiava, Mas será que serei digno dela? Será que ela me aceitará, a um sem eira nem beira? Que dirão os seus pais?

- A resposta já lhe dei, Hermes, meu amigo, há muito esperado em meus sonhos, em meus puros desejos, respondeu-lhe, Marta.

Passaram-se dias, semanas, até que, numa noite cheia da luz do astro da noite, Hermes, depois do jantar, afirma, solenemente: - Cheguei aqui como peregrino, vós me destes de comer, pousada, trabalho, de tal modo que temos aprendido muito nestes meses. A minha gratidão é enorme. Fui recebido, como se fosse da vossa família. Desculpai-me por esta minha ousadia, por esta minha confissão, mas entretanto, fiquei enamorado da Vossa pura e bela filha, meu coração mandou mais que a razão, perdoai-me, senhores.

- Para nós só existe uma única família: toda a Humanidade – respondeu-lhe António, acrescentando: Quanto ao seu pedido indirecto, já o esperava, aliás fiquei logo, sabendo-o no momento em que entrou em nossa casa, por isso, pela minha parte terá o meu consentimento, agora, a palavra é de minha esposa mas essencialmente da Marta, só ela é que pode dar-lhe a resposta.

- Por mim, que melhor poderia desejar para genro que o Hermes? – disse Ana.

- Obrigado, queridos pais, pela minha parte, também quando vi Hermes, logo meu coração falou: chegou o meu adorado príncipe que há alguns anos por ele sonhava. Por isso a minha resposta é afirmativa, por vários motivos, incluindo porque os nossos temas são profundamente harmónicos em todas as áreas, isso mesmo já os analisamos, em conjunto.

Naquele instante, sob os olhares felizes de Ana e de António, os dois se olharam e deixando falar os seus corações, se dirigiram um para o outro, abraçaram-se com um profundo e doce amor.

Eles que já estavam unidos por laços espirituais, iam agora unir os seus corpos e não só pelos laços do matrimónio.

Sorrindo os dois foram até ao jardim.

Olharam para o canteiro dos amores-perfeitos e qual o espanto, havia dois que estavam já abertos. Cada um apanhou o seu e uniram os dois por laços duma união que veio a dar 7 belos rebentos, 4 do sexo feminino e 3 do masculino.

Unidos, continuaram o caminho estreito que os conduziu ao cimo da montanha, donde vislumbraram um belo e grandioso quadro com numerosas faces da verdade prismática.

Que quadro terão observado, os nossos amigos, Marte e Hermes? Imaginai-o.

Comunicai-o num desenho, e porque não pintá-lo, ou esculpi-lo, ou criar uma bela composição, talvez a 10ª Sinfonia, a da Unidade da Vida.

 

[ Obras Colectivas ]