No Painel “Lusofonia” do V Encontro dos Escritores Moçambicanos na Diáspora,
no Edifício Ideias, Beato, em Lisboa, dia 30 de Março de 2012,
Delmar Domingos de Carvalho escolheu o tema:

“A Missão da Lusofonia na Cultura Universal”



Delmar Carvalho, um momento da sua intervenção, ladeado pela
moderadora Drª Cármen Maciel e pelo Professor Doutor Roberto Moreno,
luso-brasileiro e pelo Doutor Renato Epifânio.

 

I

Nada vem por acaso. Este não existe na medida em que há uma sucessão de causas e efeitos, individuais e coletivos, que estão na génese do que existiu, existe e existirá.

Também do nada, nada vem, nem nada se produz.

Daí que este nosso modesto trabalho tem uma ou várias razões de ser, como está alicerçado em algo que já foi concebido, escrito, em ideias já enunciadas, em ideais já criados. Todavia, vamos procurar acrescentar algo de novo, e, usando a nossa capacidade epigenésica, apresentamos novas ideias e arquitetámos novas utopias, embora existam elos de união com algumas das grandes aspirações do ser humano.

O tema da nossa intervenção fala sobre uma missão a cumprir. Logo aqui várias questões aparecem. Escolhemos cinco, o tal número mágico ligado ao pentagrama, ao pentágono, à harmonia perfeita, à libertação do espírito sobre a cruz dos quatro elementos, que estão nas iniciais das palavras hebraicas água, ar, fogo e terra: INRI, como ao número dos cinco continentes onde existem países e comunidades lusófonas e assim por diante. Que missão? Como é que ela poderá ser concretizada? Quando é que deve ser cumprida? Onde é que ela deve atuar? E com que finalidade, ou objectivos?

Antes de procurarmos responder a estas perguntas, convirá lembrar que o nosso idioma é o quinto mais falado do mundo; por sinal é o primeiro mais pronunciado no hemisfério sul. Esta realidade deve estar sempre bem presente em cada um de nós, nos países lusófonos, e a partir daí lutar para que ele seja usado nos diversos organismos continentais e mundiais.

O português tem esse legítimo direito pelo que não pedimos favores, mas sim que seja feita justiça, que seja reconhecida a realidade dos factos, entre os quais, ser o idioma de quase trezentos milhões de seres humanos, de nove países, que, como é consabido, engloba os países da CPLP, ou seja, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Contudo, o nosso idioma é ainda falado em Goa, Damão, Diu, na Índia; em Macau, China; Malaca, como é ensinado em diversas escolas de vários países do grande continente africano, como na América Latina, e até na Europa. Por outro lado, ele é ainda falado nas numerosas comunidades da lusofonia espalhadas pelos cinco continentes.




Sendo idioma oficial na União Europeia, na União das Nações Sul-Americanas, na União Africana, na Mercosul, qual o motivo porque a ONU ainda não reconheceu? Estará esperando que a Lusofonia crie uma nova ONU onde haja verdadeira igualdade e fraternidade? Sem países com direito a veto? Não desejamos polémicas nem divisões, tanto mais que uma das missões da Lusofonia é contribuir para a Paz no Mundo, para a cooperação fraternal.

 

 

A Missão da Lusofonia na Cultura Universal

II

Para cumprirmos a nossa grandiosa missão na cultura universal, urge começar por dentro, por cada um de nós, sendo mais fraterno, mais solidário, para com as pessoas dos paises lusófonos; temos de avançar muito mais no ensino do português Obras Escolhidasnos países onde ainda existem muitos irmãos e irmãs que não sabem falar o idioma de Camões, do Padre António Vieira, de Pessoa, de Mia Couto, de Jorge Amado, de Cesária Évora, de José João Craveirinha, José Luandino Vieira, Osvaldo Alcântra, Manuel Lopes, Manuela Margarido, Alda do Espírito Santo, Fernando Sylvan, que tivémos o prazer e a honra de ser seu amigo, como sabeis, foi o presidente da Sociedade da Língua Portuguesa, onde tinhamos outro grande amigo, José Neves Henriques; Adeoadato Barreto, o poeta goês, que valoriza a obra de Tagore, que pede para Cristo voltar, mas que conhece, profundamente, a civilização hindu, pai do nosso amigo Kalidás Barreto, e tantos outros.

Quantas traduções têm sido feitas de obras de autores da lusofonia? E quantas não têm sido realizadas de outros idiomas para o português. Lembremos a recente edição de OS LUSÍADAS, para chinês, como a tradução de O LIVRO DOS CANTARES, cancioneiro chinês, plena da sabedoria milenária chinesa, feita pelo padre jesuíta Joaquim Guerra, em Macau, 1979.

Louvamos o trabalho que tem sido feito por Moçambique nesta área da instrução, na educação, que está dando já os seus frutos, como em outros países, e neste campo todos temos o dever de colaborar, seja oferecendo livros em português para as bibliotecas estaduais, ou das escolas, como podemos e devemos usar os meios informáticos de comunicação, seja pelas redes sociais ou outros meios, páginas pessoais, coletivas, em que todos colaborarão, seja com artigos de opinião, com fotos de cada país, com postais ilustrados, livros, partituras, vídeos, filmes, pinturas, esculturas, enfim tudo o que possa contribuir para divulgar cada país, cada cultura da lusofonia, numa íntima união fraterna, incentivando intercâmbios culturais, etc.

 

Para construirmos uma real lusofonia, universalista, que ajude a curar esta civilização, Agostinho da Silva não afirmou que a missão de Portugal na UE era sarar esta organização, agora, mais urgente se torna, pois apenas vê números, contas bancárias e as pessoas que valem muito mais do que tudo isso junto, cujo valor real é incomensurável, cada qual é imortal, eterno, parte do Deus do Universo e para além deste, como estão sendo tratadas?

Para existir uma real lusofonia, estávamos dizendo, temos de aprender a amar para além dos laços étnicos, tribais e consaguíneos. Nestes campos muito há a fazer, começando por cada qual, pela renovação do nosso interior. Cristo, que é o nosso Ideal, mas de quem não sou digno de lavar os seus pés, disse-nos que para O seguir, teríamos de deixar a família, etc. Por outras palavras, Cristo quis dizer que tínhamos de colocar o amor universal acima do familiar, os interesses do todo acima dos sectoriais; Ele jamais opina que não se devia cumprir os deveres de pai ou de mãe, deixando morrer os filhos à fome, etc.

Neste campo temos muito a fazer, repetimos. Embora tenhamos o dever de compreender os sentimentos das irmãs e dos irmãos que estão ainda muito ligados às suas etnias, tribos, regiões, nacionalismos, mas é cada vez mais urgente, saber vencer estes elos separatistas pelo amor fraterno, pela cooperação altruísta, nas nações lusófonas, no todo da Lusofonia.

Respeitar os seus credos, os seus idiomas, é dever de todos nós, como também o é, de ajudar a que suba os seus sentimentos, os seus pensamentos a níveis mais universalistas, pois na medida em que isso suceder melhor será para elas e para eles e para todos nós. O todo é o que forem as suas partes.

Logo urge fomentar o estudo do português, não impondo, mas com paciência e amor, ajudá-los a verem por si, que é um caminho muito melhor para a sua libertação, para aumentar os seus horizontes que passarão, a seu tempo, a atingir o nível de que a Terra é a minha pátria.

Neste domínio os orgãos de comunicação social têm um papel muito importante. Eles devem cada vez mais divulgar, apoiar, contribuir para fomentar a criação de novas músicas, filmes, meios audiovisuais, em português e evitar ao máximo a importação e divulgação de temas em inglês, um idioma que está encerrando algo de imperialismo cultural, económico e até nacionalista.

 

 

A Missão da Lusofonia na Cultura Universal

III

Porque a Lusofonia tem por base uma cultura universalista, poderá dar um grande contributo na criação de uma nova e superior civilização cultural, onde se respeitem, realmente, as diferentes culturas e se criem intercâmbios culturais, cada vez mais universalistas.

Porque não, estabelecer intercâmbios na área cinematográfica com a Índia, onde esta indústria já ultrapassou a de Hollywood, com a Bollywood, Kollywood, com o cinema goês, que pode ser a porta de entrada, e criarmos entre a Lusofonia e a Índia filmes culturais, nos dois idiomas? Neles existiriam imagens de todos os povos, de uniões fraternais, com salutares intercâmbios, incluindo raciais.

Com a China, via portal Macau, porque não organizar Festivais Internacionais de Música, ora na China, ora, no Brasil, em Portugal, em Angola, Moçambique, em que cada país levaria a sua riqueza musical, coreográfica, desde o fado português, agora Património Imaterial Universal, pela UNESCO, porque não a canção académica de Coimbra, o samba, a salsa a tantas outras composições e danças brasileiras, bem conhecidas mundialmente, como obras de um Heitor Villa-Lobos, os chopes, essa singular música e dança dos tempos do Gungunhana, e que também é Património Imaterial da Humanidade, pela UNESCO; de Cabo Verde, Sara Tavares, Lura, que muito devem a Cesária Évora, com as mornas, o funaná, a colera, e ainda o seu carnaval de Mindelo; O semba e o Kizomba de Angola; a dança tufo, como moçambique, em Moçambique, a cantora e poetisa Showesia de Tânia Tomé, além de outros ritmos tradicionais; etc, etc.

O dia 5 de Maio é considerado como o dia da Lusofonia, ou por outras palavras o dia consagrado à Língua Portuguesa e à Cultura da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa.

Nesse dia algo já tem sido feito para estabelecer laços de fraternidade entre os povos lusófonos.

Muito mais podemos fazer. Em cada concelho, em cada região, em cada país, em cada comunidade da lusofonia em diáspora por toda a parte, essa data deve ser comemorada com intercâmbios culturais, com confraternizações entre os diversos povos num ambiente fraternal, com exposições, por meio das artes, incluindo do artesanato. Tudo isso deveria ser divulgado por meio dos orgãos televisivos, pelas rádios, pela Internet, criando mais páginas ligadas à lusofonia.

 

Podemos enviar fotos e vídeos para páginas sociais, divulgando o que os países lusófonos possuem de valor cultural e ambiental, como meio de publicidade relacionada com o turismo cultural, algum desse rico património está classificado como Património Mundial da Humanidade.

Tenho aprendido por mim a trabalhar com este meio, mas sabemos que existem jovens especialistas nesta área que podem criar páginas maravilhosas sobre a cultura universal da lusofonia.

Mãos à obra. Enviem-se para as páginas da ONU, da UNESCO, etc.

No caso em que esse dia não seja a um Domingo, passará para o primeiro domingo seguinte.

Que todo o mundo conheça a cultura da lusofonia, pois só conhecendo, podemos amar.

Que tudo isso sirva para criar e fomentar uma força transnacional que ajude a melhorar as estruturas políticas e económicas, numa base mais altruísta, solidária, que ajude a substituir esta podre globalização.

Os PALOP, países africanos de língua oficial portuguesa, podem contribuir para melhorar a imagem da multiculturalidade lusófona, incentivando o estudo do português e o interesse pela visita aos países da lusofonia.

A colaboração entre Associações, Academias, etc, de cada país, numa dinâmica criadora pode contribuir para um são convívio entre os diversos povos, num ambiente de igualdade, de liberdade responsável, de fraternidade.

No fundo a missão da lusofonia é levar a Paz e o Amor fraternal a todo o mundo para uma nova e melhor cultura universal.

Para o “imperador da língua portuguesa” Padre António Vieira, como Pessoa o cognominou, o apóstolo dos índios, para ele o império de Cristo será espiritual e temporal, Mapa da Virgem Europa, Biblioteca-Museu de Strahov, em Pragao tão falado V Império. Ora Portugal é o rosto da Europa, Camões disse que era a cabeça, pela nossa parte, pensamos que ele é a glândula pineal da Europa, tal como se pode ver, com atenção, no mapa da Virgem Europa que está na Biblioteca-Museu de Strahov, em Praga, República Checa. Na sua coroa, está a Lusitânia, ou seja, ela é essa glândula, em forma de pinha, que é regida pelo Neptuno que, segundo Camões, obedeceu ao “ilustre lusitano”, que, por sua vez, é o regente da Constelação de Piscis, à qual Portugal está ligado.

 

Ora, quando somos Canal da Luz e do Amor de Deus, Neptuno vibra positivamente e damos novos mundos ao mundo, iluminamos, amamos; diremos: seja feita a Vossa Vontade, neste caso, a lusofonia cumprirá a sua nobre missão, o seu destino cósmico. Todavia, se somos canal do fanatismo, do egoísmo, da magia negra, do materialismo, nesse caso, estaremos mergulhados num mar profundo de vis emoções, embora possamos ter muitas posses materiais, tudo isso será uma perigosa ilusão.

Neptuno também é fonte de inspiração superior, libertadora, criadora, e nesse caso, como diria Agostinho da Silva, saberemos fazer a união entre a física e a metafísica para bem do progresso da cultura e da libertação dos povos.

Para este filósofo da lusofonia a criação é um poder divino em que ela em si mesmo é criativa, pelo que devemos ser ativos e não agentes passivos.

Sejamos modestos, recordou ainda, o que revela a sua sabedoria, sim sejamos humildes servidores, conscientes que erramos e que com os erros aprendemos.

Pela nossa parte temos escrito: Ajudar, libertando; cooperar com altruísmo e servir com amor e humildade.

Neste caminho, cultivemos a formação de carácter que é a mais eficaz higiene do corpo, da alma e do espírito. Essa deve ser adquirida desde o momento do nascimento e sempre, em cada momento.

Sem ela jamais se cumprirá a nossa missão.

Entrámos no campo esotérico, mais ou menos, mas Vieira, como D. Francisco Manuel de Melo, Camões, Pessoa, tinham conhecimentos da cabala judaica e da cristã, tal como S. Tomás de Aquino. E o que dizer do Apocalipse de S. João Evangelista, como do Antigo Testamento? Vemos ainda num Dante, em Leonardo da Vinci, Miguel Ângelo, Bach, como em outras personalidades dos séculos XX e XXI.

O Universo desde o Cosmo até a uma concha do Nautilus, a uma flor, às nossas cèlulas, com omnisciência não está tudo geometrizado? O Som Cósmico, o Fiat Criador, a Música não estarão ligados ao poder criador do Absoluto?

Neste domínio o tão falado V Império tem a sua íntima ligação.

 

 

A Missão da Lusofonia na Cultura Universal

IV

Continuando, avançemos para assuntos menos transcendentes, embora valiosos como os outros, na medida em que a Verdade tem várias faces prismáticas.

Porque não aproveitar as Feiras dos Livros nacionais e internacionais para divulgar, incentivar a lusofonia?

Em cada Feira de âmbito nacional não devia existir um Pavilhão da Lusofonia, que venderia os livros ofertados por autores e editoras, ao preço do mercado? O valor das vendas seria para a CPLP, como uma pequena ajuda para cumprir melhor as suas funções.

Os livros não vendidos seriam enviados pela CPLP para as Bibliotecas dos países lusófonos, de acordo com os seus pedidos, as suas necessidades, desde livros infantis, ficção, história, artes, ciências, religiões, teatro, ensaios, pedagogia, etc.

Nas Feiras Internacionais também devia existir um Pavilhão da Lusofonia onde seriam vendidos obras dos autores dos 8 países da CPLP, como podia servir para local de Exposição fotográfica sobre cada país, uso de vídeos de publicidade de cada um de modo a que todos conheçam muito melhor a lusofonia, se interessem pelas nossas culturas, e deste modo, visitem e amem os povos lusófonos.

No campo da Internet, nunca será demais lembrar, muito podemos avançar, aproveitar, para divulgar todos os aspectos da vida cultural, no seu sentido amplo e profundo, da lusofonia. Cada um de nós pode e deve aproveitar a sua página individual ou as das redes sociais desde o facebook até ao netlog, para divulgar a riqueza diversificada dos países lusófonos.

Urge ajudar os jovens a defender o nosso idioma, seja na música, como nas restantes áreas. As Escolas têm aqui também uma importante missão a cumprir, como os educadores, pais e encarregados de educação.

A cultura universalista lusíada tem uma missão a cumprir na construção de uma nova UE, em que ela seja mais espiritualizada, humanista, em que haja real união baseada no altruísmo. Mas, primeiro temos de resolver os problemas internos, e, embora, existam passos positivos em atividade, pouco divulgados, e só depois é que poderemos ser os médicos da UE.

O mesmo sucede na melhoria da Uniião Africana, UA, em que os povos de espressão lusófona, os PALOPs, têm uma nobre missão a cumprir, por meio de uma união eficaz, fraterna, humanista, tendo a seu lado os restantes países da lusofonia.

Também na Organização dos Estados Americanos, muito há a fazer, e aqui o Brasil tem uma missão muito especial, na qual deve ter a ajuda de todos os restantes povos da lusofonia.

Aproveitemos as nossas potencialidades na promoção e animação cultural e turística, no seu sentido superior de intercâmbio entre as pessoas e os povos, ajudando à libertação das potencialidades criadoras.

Cabe-nos, agora, de vencermos os novos gigantes, as ondas e os icebergues do nosso mar interno, por vezes, algo congelado, levando o barco da lusofonia ao reino da Paz, do amor universal, da justiça, da liberdade responsável, da igualdade na diversidade, construindo um projeto superior que una o Oriente com o Ocidente, sob a égide da Bandeira de Cristo, no respeito integral pelos credos de cada qual.

Vamos saber programar, criar novas estruturas, sob um sistema profundamente humanista, e evitando a dispersão, levar as tarefas até ao êxito final.

Não queremos impor o nosso idioma e a nossa cultura seja a quem for, mas também não podemos admitir que sejamos subtilmente colonizados, escravizados seja por que idioma for, muito menos por aquele que quer impor-se a todo o mundo.

Aprender diversos idiomas é salutar, incluindo o esperanto, que tem muitas palavras semelhantes ao nosso idioma.

Mas, acima de tudo saibamos amar, irradiar esse nobre sentimento universal, o amor, sem o que nada de positivo e de valor será realizado.

Só por meio desse Amor o futuro da Humanidade terá futuro.

Construamos a Lusalém em nossos corações, iluminando a terra sob a Estrela de Belém, sendo Sal da nova Jerusalém, a cidade da Paz.

É que ser lusófono é ser universal.

 

Painel da Lusofonia, V Encontro
Painel da Literatura, V Encontro. Delmar Gonçalves no uso da palavra.
Na mesa, Professor Doutor Fernando Cardoso, Carlos Peres Feio
e Drª Myriam de Carvalho

 

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