Quinta Parte


Portugal, o V Império

e

A Rosacruz



Capítulo XIII

O Quinto Império


A missão de Portugal é levar a paz a todo o mundo.

Bandarra


No século XVI, por toda a Europa, apareceram diversas profecias. Entre elas recordemos as de Nostradamus, médico e astrólogo, de Paracelso, um dos maiores médicos da História da Humanidade, por sinal em número de 32, ou seja, igual a 5; na 27 prognostica a missão libertadora da Fraternidade Rosacruz; em Portugal surgem as do Bandarra, personagem mítica; outras existem, mas de menor valor; todo este movimento de messianismo, de esperança de um mundo melhor, foi um meio de difundir um farol de luz entre tantas guerras fratricidas, de enormes fanatismos, em que parecia que reinavam somente os agentes das trevas. Continua, no século XVII, com o rosacruz Coménio, patrono da UNESCO; com o rosacruciano Padre António Vieira e outros membros da Alvinitente Luz.

Esta corrente prosseguiu nos séculos seguintes até à actualidade.

Portugal, ou melhor a língua portuguesa, expressão da sua cultura universalista, terá uma das missões mais importantes para a renovação deste estado de coisas, mais ou menos caótico, em que estamos mergulhados e no qual este país ainda está sob denso nevoeiro.

Fernando Pessoa, como Agostinho da Silva e outros portugueses, mais ou menos conhecedores da filosofia rosacruz, continuaram esta corrente, cujo caudal está aumentando, como uma Flor de Esperança nesta civilização onde campeam o ódio, o egoísmo, o materialismo, o orgulho intelectual, a lei do salve-se quem puder, profundamente desumana, criadora de tantos problemas desde internos até aos exteriores que vão da fome, às enfermidades, às injustiças, ao terrorismo, à insegurança.

Portugal, sendo o país das cinco quinas, estando ligado às cinco chagas de Cristo, cujo valor cabalístico cristão é igual a cinco, como também já se explicou, encerra as condições lógicas de ser aquele que irá cumprir a missão de dar ao mundo os valores inseridos na sua cultura humanista espiritualizada, na qual foi formado.

Essa missão será cumprida quando cair o segundo, ou seja, o de Roma.

Ora tudo tem o seu tempo, estamos chegando ao final da Era de Piscis, pelo que a missão do segundo está finalizando.

 

Portugal, a Glândula Pineal da Europa


No Canto III, de Os Lusíadas, Camões disse que Portugal era quase cume da cabeça/ Da Europa toda, lo Reino Lusitano/ Onde a Terra se acaba e o mar começa.

Na Mensagem, F. Pessoa escreve: ...A Europa jaz, posta nos cotovelos/ O rosto com que fita é Portugal.

Investigando o mapa simbólico, mítico e esotérico da Virgem Europa, somos de opinião que Portugal é a glândula pineal da Europa. Este encontrámos na Biblioteca-Museu de Strahov, Praga, datado de 1592, de novo o século XVI. O original desta obra, Tratado Sobre o Itinerário da Escritura Sagrada de autoria de Joahnnes Putsh, século XVI, natural de Innsbruck-Áustria, foi editado em Paris, em 1537. Na segunda metade do século XVI foi englobado em duas valiosas obras: uma, já citada; a outra, A Cosmografia de Munster.

Observemos, com mente aberta.

 

Mapa da Virgem Europa
Eis o mapa da Virgem Europa.

 

Observando, eis que a Lusitânia está algo quase fora do cimo da cabeça, qual coroa que iluminará.

Portugal está sob o signo de Piscis, cujo regente é Neptuno que governa a glândula pineal ou epífise. Esta segrega a serotonina, substância indispensável para que o ser humano formule raciocínios correctos. Decartes chamou-lhe a sede da razão. Quando somos canal da Luz divina, quando somos tolerantes, humildes, sábios, verdadeiramente espirituais, quando a intuição brota do nosso interior, quando temos inspiração, quando amamos as artes, especialmente a música, em que haja harmonia, melodia e ritmo, quando somos canais da Vontade de Deus, em sintonia com o exemplo de Cristo: Seja feita a Vossa Vontade e não a minha, referida na oração por excelência, então, tudo correrá positivamente, estamos trabalhando de acordo com as forças cósmicas, com a única Energia que existe, caminhamos pelo estreito caminho que nos conduz à libertação, e, a seu tempo, teremos capacidades internas desenvolvidas que nos permitirão servir mais e muito melhor.

Porém, se somos fundamentalistas, fanáticos, conservadores de convenções caducas, quando somos egoístas, orgulhosos, seremos instrumentos da magia negra, os problemas avolumam-se em todas as áreas. Caímos nos vícios, nas drogas, lutamos por meios mais ou menos ilícitos, por vezes, até legais, devido a leis terrenas injustas e imperfeitas, para obter fama, poder e fortuna, estamos a caminho de provas dolorosas de acordo com a lei da Causa e do Efeito, pois tudo o que semeamos, colhemos. Perante esta Lei, somos todos iguais, sejamos soldados ou generais; porteiros ou ministros, etc.

Por isso, quando, em Portugal, se governava e trabalhava em sintonia com as vibrações superiores de Neptuno e de Piscis, tudo bem: demos novos mundos ao mundo e aqui viveram pessoas dos vários quadrantes ideológicos; quando passámos a viver sob a miséria mental de quem não pensa, como eu é meu inimigo; quando o país passou a ficar cheio de gente aduladora, denunciante, corrupta, fanática, de tiranos, déspotas, egoístas, falsos espiritualistas, os resultados foram evidentes, o país perdeu até a independência; depois de ser restaurada, com raras excepções como temos agido? Somos canais das Forças Divinas ou das inferiores?

Portanto, para que Portugal e os países lusófonos, especialmente o Brasil, possam cumprir a missão do V império temos ou não de mudar e renovar em todos os aspectos? Que fazer? Meditemos sobre os aspectos positivos e vejamos como devemos proceder. Cada qual tem a sua missão a cumprir, se não for feita, são oportunidades perdidas; se continuamos a perseguir os outros, só porque eles pensam doutra maneira, então somos magos negros; se apenas ajudamos os nossos compadres e as nossas comadres, os do nosso clube, então somos separatistas, injustos, egoístas, corruptos; se injuriamos os que pensam doutra forma, estamos semeando ventos. E como quem semeia ventos, colhe tempestades; e como cá se fazem, cá se pagam, embora pareça que não, pois vemos os bons sofrer e os maus gozar, contudo, não nos iludamos, os moinhos de Deus moem devagar, mas seguros; podem levar mais que uma vida para nos obrigar a pagar, mas tudo terá o seu tempo.

Preparemo-nos para a missão do V Império.

Construamos a Lusalém, na Jerusalém.

 

A Cultura Universalista Lusíada


Ao longo deste trabalho temos afirmado o carácter da cultura lusíada: muitas vezes, repetimos a palavra UNIVERSALISTA.

Todo o mundo sabe o que se está a afirmar.

Desde tempos imemoriais que, neste torrão lusitano, houve intercâmbios culturais como raciais, de profundo valor para a construção da universalidade nos diversos aspectos da vida humana.

Essa dinâmica cheia de humanismo, mais tarde de puro cristianismo foi sendo alicerçada em pólos de cosmocracia; damos este nome, não por desprezo aos sistemas democráticos, mas porque esta concepção civilizacional é mais elevada, está em sintonia com o Governo Cósmico, os seus agentes têm um bom canal neptuniano, Faça-se a Sua Vontade e não minha, como Uraniano, capacidade para amar todos os povos, para criar algo inovador, mas sempre no respeito das leis naturais ou divinas, numa simbiose perfeita entre a liberdade e responsabilidade; como já aprenderam as lições encerradas nos outros mensageiros divinos, dentro dos 12 pães da Proposição. Cada qual sabe aproveitar os grãos que Deus nos dá nas 12 casas, sob a regência das 12 Hostes de Seres Cosmocratas.

O Ser humano encerra, em si, as potencialidades divinas de criar algo de novo, de ser um Dia, omnisciente e omniconsciente, só que elas estão mais ou menos latentes, cabendo a cada qual dinamizá-las, libertá-las.

 

Esse trabalho, esse serviço só pode ser feito por cada pessoa, ninguém pode fazê-lo por nós, não podemos estar à espera de um Mestre, nem do Encoberto, há que agir o melhor possível em sintonia com as Leis da Natureza que é o selo de Deus.

Portanto, temos de renovar a cultura universalista lusíada, estamos já no século XXI, o pão anímico é mais puro e exige mais e melhor serviço, há que começar pela renovação da nossa mente, a reforma das mentalidades é imprescindível, sob pena de nada se fazer que possa contribuir para a sua regeneração.

Quando será a Hora? Tudo depende de nós, da forma como pensarmos, como sentirmos, como agirmos.

Além disso, cada um de nós tem de saber ser português, falar no idioma de Camões, de Pessoa, do Padre António Vieira, de Francisco Marques Rodrigues e de tantos outros e não no inglês ou no francês, ou no alemão ou em qualquer outra língua.

Com isto não estamos contra a aprendizagem dos outros idiomas, jamais, os rosacruzes ensinam que devemos aprender diversos idiomas, que até seria benéfico, a criação de um idioma universal, acima da cultura de cada povo, mas enquanto não chegarmos a esse nível, temos o dever de defender a cultura universalista lusíada, sem medo algum, sem nos considerarmos inferior, nem superior aos outros, mas sim defender o respeito por todas as culturas, a igualdade de oportunidades e colocar no seu lugar todos os que actuam com arrogância por meio do seu poder, incluindo quererem impor a sua língua como o meio de todos comunicarem. Isso é imperialismo cultural, fonte de muitos problemas sociais e económicos, incluindo psicológicos e emocionais.

 

A Lusofonia na União Europeia


Neste momento são 8 os países de expressão na língua portuguesa, ou sejam: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor, seguindo a ordem alfabética.

Praticamente está em todos os continentes.

 

A Europa está passando por uma experiência valiosa, construindo uma União entre países com culturas diferentes e até alfabeto diverso, caso da Bulgária, com diferentes credos, que, a seu tempo, será alargada a outros como a Ucrânia, Turquia, e assim por diante até que estejam todos numa União mais espiritual e cultural que material.

Contudo, recordo que Vítor Hugo, já no século XIX, defendeu a criação dos ESTADOS UNIDOS DA EUROPA, TENDO ATÉ DOADO A SUA BIBLIOTECA PARA ESSA UNIÃO E QUE, ANTES, JOÃO AMÓS COMÉNIO JÁ A TINHA SUGERIDO COMO SENDO UM PASSO NECESSÁRIO PARA A RESOLUÇÃO DOS PROBLEMAS.

Tudo tem o seu tempo; neste momento há quem considere como uma Utopia, outros como algo impossível e até são contrários à formação dos Estados Unidos da Europa.

Porém, não será esse o caminho que as condições evolutivas apontam? Não será essa forma de vivência um passo ímpar para a construção de uma real União? Não será essa concepção de "Estado" que ajudará a resolver muitos dos problemas que existem desde racismos, insegurança até injustiças e discriminações?

Como é evidente, para chegarmos a esse estado organizativo, muito tem de mudar, de renovar, começando por cada pessoa, cada região, cada povo.

Paradoxalmente, estamos numa fase de separatismos, nas famílias, nos povos, e, ao mesmo tempo, há passos na UE, só que mais tecnocratas, económicos, do que culturais e muito menos cosmocratas ou espirituais.

Muito de positivo está sendo realizado, vejamos os encontros entre jovens e não só, nos diversos programas que existem. A juventude actual tem melhores condições para criar elos de amizade entre os diversos povos e culturas, passos importantes que vão dar bons frutos a curto prazo. Aliás, já existem boas sementes.

A cultura universalista portuguesa tem uma missão a cumprir na construção de uma UE mais espiritualizada, mais humanista, desde que saibamos resolver os nossos problemas internos, num momento histórico em que milhões de portugueses vivem em outros países, espalhados pelos cinco continentes, e em que recebemos milhares de pessoas oriundas não só dos países de expressão portuguesa, como de outros, designadamente de Leste.

Tal como nos tempos em que Portugal esteve na sua posição, ser a cabeça da Europa, a sua glândula pineal, quando aqui viviam, harmonicamente, pessoas de vários países, se cruzaram culturas e raças, dando lugar a um povo único na miscigenação, existem, agora, de novo, condições para uma renovação mais elevada nesta área, seja em intercâmbios culturais, há que trabalhar neste sentido, seja entre as pessoas, seja nas instituições públicas e privadas, como nos raciais, casamentos voluntários, na base do real amor entre as pessoas sejam quais forem os seus credos, cores ou condições sociais.

Esta dinâmica exige que sejamos verdadeiramente humanistas, fraternos, que é mais que solidários, altruístas, vivendo sob bases espiritualistas.

É urgente que todos os que vivem nos diversos países de expressão portuguesa tenham essa base humanista, pelo que muito há que mudar, começando pelas mentalidades.

Quanto mais cedo soubermos renovar a cultura universalista lusíada, em todos os aspectos da vida, desde habitacionais, saúde, educacionais, emprego, família, políticos, religiosos, artísticos, científicos e outros, melhor será para todos. Jamais devemos esquecer que, enquanto existirem pessoas que estão mal, todos estamos mais ou menos em fricção.

Só depois de resolvermos os nossos problemas internos, e há passos positivos em actividade, pouco divulgados, mereciam mais informação e não os aspectos negativos, é que podemos ajudar a construção de uma UE verdadeiramente fraterna, unida por valores intemporais.

Cabe a Portugal e aos povos de expressão no idioma lusófono dar esse contributo para a criação do V império.

A Europa está velha, necessita de pessoas jovens, de jovens nas mentalidades, e neste campo não há idades, necessita de mais e melhores intercâmbios. Muitos dos povos europeus foram para a África, para as Américas, para a Oceânia, agora, também a Europa tem de saber receber povos desses continentes e construir um novo estado de coisas.

A cultura universalista lusíada deve contribuir para uma nova civilização europeia, em que temos de saber usar o idioma, como veículo de mensagens humanistas e espiritualistas.

Os poetas, mensageiros de Deus, em cada país lusófono, têm uma missão a cumprir, sendo mais universalistas.

Somos todos cidadãos europeus, muitos dos que emigraram para a Europa, especialmente, os filhos e netos, são europeus, sejam quais forem os países onde vivem, e como tal se devem sentir como habitantes em plena igualdade de deveres e direitos na construção de uma NOVA EUROPA.

É Hora de participar e cooperar.

 

A Lusofonia e o Parlamento Mundial


Se construir os Estados Unidos da Europa já é demasiado para muitas mentes, construir o Parlamento Mundial o que não será? Isso é devaneio...

Bem, não é nada de novo. Coménio apresentou essa forma sociopolítica, no século XVII. Somos ou não cidadãos desta Terra, todos estamos nesta nave que gira no espaço nos tais movimentos mais ou menos conhecidos, porque não devemos, então, viver em sintonia com as normas universais da cosmocracia? Por isto e por aquilo, dizem os eurocépticos e muito mais ainda os mundicépticos, será impossível.

No capítulo seguinte focaremos a evolução em sintonia com o Governo Cósmico. Veremos que, afinal, não faltará muito tempo para que a Humanidade viva em Fraternidade Universal.

Esse tempo não é amanhã, mas comparado com a nossa evolução de separatismos, de guerras fratricidas, de nacionalismos doentios, de fanatismos, de ignorância, serão apenas uns anitos...

A cultura lusíada deve saber dar ao mundo os ideais cosmocratas, vivê-los, deve contribuir para se cumprir Portugal.

As Capelas Imperfeitas do Mosteiro da Batalha estão incompletas, temos de completar o que ficou adiado com a introdução dos fanatismos, dos ódios, da intolerância. O processo que vinha de tempos distantes ficou esperando por novas condições cósmicas.

Estamos próximo da Idade do Aquário, que só entrará no século XXVII, não como muitos têm afirmado, em que já estamos nessa fase, ainda não, apenas recebendo algumas influências cósmicas para a construção de uma nova civilização, depois de esta cair de podre, o que em grande parte já se encontra.

Basta ter olhos e ouvidos.

No século passado, Bertrand Russel escreveu que o Governo Mundial seria a última oportunidade do Homem. Não é a última, mas sim, uma fase da sua evolução, é uma oportunidade, sim, para sua libertação.

Vamos contribuir, ao mesmo tempo que ajudamos a uma nova UE, para uma nova ONU, uma nova UNESCO, como outros Organismos Mundiais, desde o FMI à OMS.

Por fim, lembremos as palavras de Fernando Pessoa sobre o futuro de Portugal:

ESSE FUTURO É SERMOS TUDO.

 

[ A Lusofonia ]