Obras Editadas


A Música e a Poesia, Elos na Linguagem do Amor Universal


Partindo de uma palestra que nos foi solicitada sob o tema: A ligação entre a Música e a Poesia, pela Editora Helvetia-Suíça-Brasileira, para proferir no 1º FESTIVAL DE LISBOA DE POESIA - NO AUDITÓRIO DO HOTEL HOLIDAY-INN-LISBOA, e face ao interesse que as pessoas demonstraram, decidi publicá-la após melhorar e aumentar o seu texto, introduzindo muitas fotografias ligadas a estas duas grandes áreas da cultura universal.










Prefácio

“Aquele que quiser ser o maior entre vós, seja o servo de todos”, nos ensina os Evangelhos e, por analogia, o mesmo podemos dizer da arte considerada a MAIOR: a Música, que, se soubermos observar, alicerça não só as demais artes, mas é uma constante em toda a Natureza e com esta se confunde, pois é fonte de toda a criação, como habilmente Delmar de Carvalho consegue explanar.

Evidentemente, esta obra não diz respeito à Música em seu aspecto puramente artístico e cultural. Ela nos leva a refletir sobre a finalidade dessa divina arte, que dia após dia é cuidadosamente estudada pela Ciência, com a qual se unirá para uma ação efetiva sobre a mentalidade que reinará na Idade do Aquário.

Davi, dito na Bíblia como homem que possuía “muitos dons, como o da música, da poesia e dos salmos”, talvez tenha sido o primeiro, de que temos registro, a ser inspirado na utilização dos “Elos” a que o Amigo Delmar se refere. Notemos que, até mesmo a musicoterapia já estava presente, pois Davi acalmava a Saul com sua voz e sua harpa. Não por menos gerou a Salomão. De Davi, passando pelos trovadores e até nossos dias, muitos vieram.

Místicos e ocultistas defendem a idéia de que Seres de grande Sabedoria e Amor, como os nomeados “Anjos do Destino” segundo os ensinamentos de Max Heindel, cuidam da Humanidade a fim de que esta se mantenha dentro dos propósitos da evolução. Por influência e ação desses Seres amorosos é que, em todas as épocas e em todos os cantos do planeta, surgiram almas com a belíssima missão de amenizar as dores da Humanidade, utilizando a Poesia e a Música; seja através de criações populares emanadas da “alma” de um povo, seja por meio de obras mais intelectualizadas e elaboradas de acordo com a cultura da época. Desta variedade e seus meios de ação, Delmar de Carvalho nos apresenta vários exemplos de Portugal e de outros países.

Não bastasse o enfoque lírico e poético, o autor salta para a aplicação prática e científica da música - a musicoterapia - e com isto, faz como Ganimedes - o portador das Luz para a Idade do Aquário, como ele mesmo cita - trazendo uma nova Luz acerca da união entre Música e Poesia em prol do AMOR UNIVERSAL.

São Paulo-Brasil - 20 de Março de 2016
Maria Lázara Franzini
Professora de Educação Artística e de Música





“No Princípio já existia o Verbo, e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus…Tudo começou a existir por meio d’Ele, e, sem Ele, nada foi criado, N’Ele estava a Vida e a Vida era a Luz dos homens.”

A palavra Princípio vem do grego Arche, Árqueo. O “Pedreiro-Livre” também é um “tékton”, como José, esposo de Maria era um Construtor de Templos Eternos, um Essénio.

No Princípio, ou seja, em Deus, no Absoluto, na Raiz Cósmica de tudo quanto existe, na Sempre Essência-Existência. Segundo Max Heindel o segundo aspecto do Ser Supremo que não tem começo nem fim, sempre existiu, Ser Ilimitado, Infinito, que permite que o Universo Finito esteja em expansão, é o Verbo, o SOM Ilimitado, Criador, Harmónico, que é capaz de moldar a Substância da raiz Cósmica Primordial, criando e mantendo infinitas formas de vida desde a estrela-do-mar às estrelas dos céus; do átomo ao ser humano, etc.

O Verbo vibra consoante as formas que são criadas, do modo como estas se movimentam em vários ângulos e em diversas direcções.

Os planetas giram em torno de si e em forma oval em torno do Sol.

Vemos que Isidoro de Sevilha tem razão quando escreveu que a Música é a criadora de tudo quanto existe. Logo quanto mais vivermos em sintonia com Esse Som Cósmico, com o Verbo, que vibra em nosso interior, com uma nota peculiar, cada qual tem a sua, melhor será para cada um de nós.

Há muitos anos que defendemos que a Palavra é sagrada, pelo que temos uma enorme responsabilidade consoante a usarmos. Os grandes cantores possuem uma Voz musical que encanta e eleva; eles são canais desse Verbo, cheio de Harmonia, Melodia e Ritmo.

Os imortais compositores sobem até à Harpa Cósmica e, captando esses sons celestiais, os levam até à pauta de modo criador, porque cada ser humano possui, dentro de si, esse Poder Divino.

Os poetas, mensageiros de Deus, comunicam por meio dos seus versos, faces do Verbo, isto em sintonia com o seu Amor, com a sua Luz. Daí que Camões tenha escrito: consoante for o Vosso Amor tereis o entendimento dos meus versos.

Deus é Amor, Deus é Luz, o Verbo está n’Ele, Ele é a Vida.

Por isso, os grandes poetas e músicos comunicam pelas suas obras a Luz, o Amor, a Harmonia, a Justiça, a Paz, a Verdade, a Beleza.

Falta, porém, outro aspecto, o terceiro, é tríplice a Manifestação, que deriva dos dois enunciados, o Movimento. Estamos no Plano Cósmico do Ser Supremo; até chegarmos ao sétimo, o dos sistemas solares, muito existe. Em cada um destes, há um Deus, que está no mais elevado Plano, são também sete, sendo o mais inferior o Mundo Físico, que é o da ilusão, na medida em que é o dos efeitos; nos superiores estão os das Causas.

Nas Suas manifestações tríplices, Eles expressam um Ilimitado Coro Cósmico em Vontade (Harmonia), Sabedoria (Melodia) e Actividade (Ritmo).

Paracelso, esse médico dos médicos, que tratou doenças consideradas incuráveis como consta na inscrição da lápide ondes estão os seus restos mortais, na Igreja de São Sebastião em Salzburgo, terra natal de Mozart, escreveu: O Homem é um Sol e uma Lua, é um céu repleto de estrelas. Ao mesmo tempo defende: O que é o corpo humano senão uma constelação das mesmas Energias que formaram as estrelas nos céus!.

Com efeito, quando esta realidade de que fazemos parte de um Todo Universal, que embora nascendo na Terra, estamos ligados ao Sol, que podemos voar até aos confins do Universo que é a nossa Pátria, então sentiremos que em Deus vivemos, nos movimentamos e temos o nosso Ser. Ele é a Vida e a Música a Sua expressão.

Com efeito, observando a Natureza, como as suas ondas de vida que involuem e evoluem na Terra, na sua base, há uma Harmonia maravilhosa, que temos de aprender a sintonizarmo-nos com Ela, e, se assim for, haverá Paz, Justiça, Equilíbrio, Beleza, concórdia, união perfeita, aspectos da Harmonia; como usufruiremos de Luz capaz de resolver devidamente todos os problemas e de descobrirmos os mistérios da vida e da morte, e Amor qual energia com capacidade para criar a Fraternidade Universal, para vivermos em plena liberdade sem medo algum, eis a Melodia, o som regular e suave, a voz doce a agradável, a poesia que eleva e liberta. Finalmente, o Ritmo, a cadência em sintonia com as sábias Leis Cósmicas, ou Divinas, ou da Natureza. Tudo tem o seu ritmo desde o cardíaco, ao respiratório, etc. Vemos tudo isso nos animais, nos Elementos da Natureza, como existe na Música, numa sucessão regular de tempos, como está na poesia na sequência de sílabas longas e breves.

Neste sentido, sentimos e vemos que a Música está em toda a parte, ela é a linguagem universal, ela é o idioma do amor; ela é a Fonte Criadora, por isso é restauradora e curativa; ela é o meio que os anjos usam na comunicação.




Mensagens Metafísicas

Já vimos que o Verbo (Som-Música - infinitamente criador - pleno de Luz) está em Deus. Nele estava a Vida.

Por isso, repetimos que Isidoro de Sevilha deixou-nos uma mensagem transcendente.

Deus é Amor, logo Deus é Música a um nível Supremo.

Por isso, Richard Wagner, grande compositor, ver o meu trabalho Em Defesa da Vida E Obra de Richard Wagner, editado pelo CEMD, Lisboa, escreveu que “A música é a linguagem do Amor.”

É intuitivo e tem lógica.



O filósofo escocês, Thomas Carlyle, (1795-1881) um sagitariano que elevava a sua alma até aos Mundos Superiores, disse: A Música é a linguagem dos anjos.

Plenamente de acordo. É por meio dela que comunicam!


Os anjos cantam por meio do Som Criador, numa perfeita união com a Lira Cósmica.

O imortal Shakespeare afirmou: Não existe a mais pequena órbita que tu contemples que não cante como um Anjo em seu movimento.

Max Heindel que sabia do incomensurável valor da Música e da Sua origem Primordial ligada ao Verbo escreveu: Todo o sistema solar e um enorme instrumento musical, que, na Mitologia grega é chamada da “Lira das sete cordas de Apolo.”

Se a harmonia cósmica falasse um só momento, se houvesse a mais pequeníssima discordância na Orquestra Celestial todo o Universo se desintegraria.



Todos os problemas serão resolvidos quando cada um de nós viver em sintonia com a Harmonia Cósmica, seguir as notas positivas da Lira de Apolo, pois, como bem escreveu o maior médico de todos os tempos Paracelso, excepto Cristo-Jesus: O ser humano é um Sol e uma Lua, e um Céu cheio de estrelas.

Daí que a Música é a Vida e a Vida é Música.


Obras de Grandes Compositores

e

Poesias de Poetas Imortais

Em tempos li que os verdadeiros poetas, em cujos corações moram o amor universal, uma sã espiritualidade, a Liberdade unida à Fraternidade, “são os mensageiros de Deus.”

Logo, por meio de palavras, comunicam o Seu Amor, a Sua Harmonia, a Sua Melodia, o Seu Ritmo, a Luz libertadora.

Por isso, os seus versos estão plenos de Música das esferas. Por isso, os grandes compositores inspiram-se em suas obras, quando não são eles mesmos que as criam, os cantores imortais dando a sua voz divina aos seus versos.

Gounod escreveu a sua maravilhosa ópera FAUSTO, inspirando-se na obra com mesmo nome do enciclopedista Goethe, um dos maiores poetas da História da Humanidade, que, afinal, também era músico.


GOUNOD
GOETHE

Verdi inspirou-se em várias obras do maior dramaturgo da Humanidade, Shakespeare, designadamente, Otello, Falstaff, Macbeth.

Por sua vez, Wagner, possuidor de uma profunda cultura, conhecia muito bem a obra shakespeariana. A sua ópera A PROIBIÇÃO DE AMAR está baseada na obra do imortal dramaturgo: MEDIDA POR MEDIDA.

Rossini deixou-nos o seu OTELLO.

O compositor inglês Britten legou-nos a sua ópera “O SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO”, inspirada na obra bem conhecida de Shakespeare.


Muitos outros casos podem ser narrados.

Um pouco mais distante, recordamos Gil Vicente, o maior dramaturgo lusófono e nobre poeta (1465-1536).

Tal como Shakespeare foi também actor e encenador e ainda músico, e o mais certo ourives. Como poeta vai desde vilancetes, cantigas aos trovadores, onde a música está ligada à poesia.

Nos seus Autos estão canções, está a música!

Vejamos o AUTO EM PASTORIL PORTUGUÊS, representado em Évora pelo Natal na era do Senhor de 1523.

Depois de Margarida, a pastora, ter encontrado uma imagem de Nossa Senhora, mais à frente com quatro clérigos, estes entoam um Hino à Virgem: Ó gloriosa Senhora do Mundo/Excelsa princesa do Céu e da Terra…………………………………………………..

No AUTO DOS QUATRO TEMPOS, surgem com frequência enredos musicais, as canções. No AUTO DA BARCA DO INFERNO, no final, eis quatro cavaleiros, da Ordem de Cristo, aos quais Gil Vicente louva as suas façanhas, pois estes nobres chegam cantando a quatro vozes.



NOTA: Gil Vicente recebeu influências do rosacruz Paracelso que esteve em Lisboa, em 1518.

 

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