Obras Editadas


João Amos Coménio


Acaba de ser publicada, em português, a primeira biografia sobre o Rosacruz João Amos Coménio.


Há cerca de 40 anos que estudamos a Obra e a Vida de João Amós Coménio. Na medida em que ia aprofundando as minhas investigações aumentava a minha profunda admiração e gratidão sobre este Rosacruz. Como tenho bem presente a data do seu nascimento constante no 7º volume da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, a página 231, a qual serviu para um trabalho que fiz, e mais tarde, vejo com os meus olhos que estava errada!

Fiquei admirado, pois confiava profundamente nos dados existentes nesta Obra, se bem que em muitos textos havia opiniões que discordava e discordo, porém, as datas e não só confiava plenamente. Foi uma experiência dolorosa, pois não gosto de errar e muito menos de induzir outras pessoas em erro. Dela aprendi que devemos procurar sobre todos os assuntos várias fontes e compará-las, para ver se haverá algum lapso.

Com isto, jamais estou pensando que não erro, sei perfeitamente que sou um ser humano e que por mais que procure fazer uma obra sem defeitos, por mais revisões que se façam, com frequência, logo que um livro é publicado, abro e vejo um lapso, um erro! Para mim é motivo de muita dor; hoje, já sei viver melhor com estes lapsos, já aprendi a perdoar-me a mim mesmo.

Que fique claro a Obra que mencionei, merece toda a nossa gratidão, ela é uma fonte de muita informação valiosa. Deve fazer parte de cada biblioteca pessoal, ou qualquer outra Enciclopédia. Cada qual é livre de escolher. Optei por esta e tem sido uma amiga.

Bem, nada é comparado com o que aprendi em várias obras de Coménio.

Hoje, lamento não ter ainda conseguido estar uma temporada na República Checa procurando analisar com profundidade a sua vida e obra, as localidades onde viveu, os Museus e Universidades com o Seu nome, etc.

Em 1992, desloquei-me a Praga, aprendi muito sobre Coménio. Como cidadão desconhecido visitei alguns locais, passando despercebido, sem procurar ajuda. Fiz mal, fui orgulhoso..., fui tímido...?

Uma coisa é certa havia a falta de uma biografia sobre Coménio, na lusofonia. Avancei de acordo com as minhas possibilidades.

Eis que acaba de ser publicada. Serve de ponto de partida para outras com muito maior valor.

É isso que espero e desejo, pois Coménio merece ser muito mais conhecido para bem da Humanidade.


Capa do livro João Amos Coménio

O desenho da capa é de autoria do meu querido filho, Miguel Ângelo Medeiros de Carvalho, quando era aluno do 1º ano da Faculdade das Belas-Artes.

A edição é do CEMD – Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora, com sede em Cascais, Portugal.

O prefácio é de autoria do professor e poeta Delmar Maia Gonçalves.



Contracapa do livro João Amos Coménio
Contracapa da Biografia


Notas Explicativas


A rosa tem um belo perfume,
mas nasce entre espinhos;
do mesmo modo
a CULTURA e a VIRTUDE são belas,
mas as experiências com que se adquirem,
assemelham-se a espinhos
.

João Amós Coménio
(1592-1670)

Este projecto passou por várias fases.

Inicialmente, estava seguindo o esquema de uma biografia convencional. Depois sobre Coménio e a Idade do Aquário; seguidamente, concebi o modelo que usei com João S. Bach, no meu trabalho sobre este grande compositor e neste caso escolhi Diálogos com João Amós Coménio, finalmente, elegeu-se a primeira escolha.

Também a selecção do nome foi alvo de indecisões. Por princípio, não devemos traduzir os nomes próprios; porém, neste caso, ao longo de dezenas de anos li obras em outros idiomas e, em todas elas, o seu nome foi adaptado à língua dos seus autores. O seu nome original foi o eleito para a capa; quanto ao resto, João Amós Coménio.

Interessante ver que Bach e Coménio, têm João como nome próprio, seguindo o do discípulo amado de Cristo, João Evangelista.

Em Portugal, apenas conheço duas obras deste genial pedagogo, político, filósofo, cosmocrata, ambas traduções do professor doutor Joaquim Ferreira Gomes, da Universidade de Coimbra, a quem o nosso idioma e cultura muito devem. São elas a Pampaedia, editada pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, em 1971, e Didáctica Magna, publicada pela Fundação Calouste Gulbenkian, 1985; no Brasil, Labirinto do Mundo e Paraíso do Coração, S. Paulo, 1917; a mesma obra, em 2010, pela Editorial Comenius, S. Paulo que editou ainda: Pampaedia (Educação Universal), em 2014; Comenius, o sábio que queria ensinar tudo a todos, Luís Colombo, 2014, deste autor ainda Comenius, a educação e o ciberespaço, 2006.


De realçar o trabalho que a Universidade de Évora tem concebido sobre este pedagogo; a Gulbenkian merece ainda ser destacada.

O programa COMENIUS da União Europeia tem dado alguma dinâmica a este Patrono, tal como a UNESCO, que assim o considera.

Contudo, urge avançar muito mais, precisam-se de mais obras traduzidas desde Cartas ao Céu até Via Lucis (Caminho da Luz).

Até ao momento, muito embora seja de louvar os trabalhos de Luís Colombo e da Editorial Comenius, faltava esta obra, na língua portuguesa, o 5º idioma mais falado do mundo, tanto mais que a sua mensagem é profundamente universalista o que está em sintonia com a lusofonia.

O valor da obra comeniana é de tal modo incomensurável que merece toda a nossa dedicação e profunda gratidão.

Os seus ideais e as suas ideias serão fonte de aplicação e de orientação ao longo dos próximos séculos, muito mais no decorrer da Idade do Aquário.

Por isso, Coménio é muito mais que um democrata genuíno, as suas concepções, os seus planos, estão em sintonia com as Leis Cósmicas, daí ser um Cosmocrata. Este é o rumo da Humanidade, logo o criador da pedagogia é a Luz cristalina que o ilumina.

Que este livro sirva de ajuda à construção de uma educação mais libertadora, de novas e muito melhores políticas, de outras concepções socioeconómicas e culturais, para bem de toda a Humanidade, como ele desejou, pois “se uma parte da Humanidade estiver mal, o todo também o estará.”.

Finalmente, dedicamos este trabalho ao nobre e puro discípulo de Cristo, Reitor da Universidade de Praga, João Huss, (1369-1415) cuja vida e obra serviu de exemplo para Coménio, nos 600 anos sobre a sua monstruosa morte na fogueira da Inquisição.


Nota: O Papa João Paulo II, em Dezembro de 1999, expressou profundo arrependimento pela morte cruel que lhe foi infligida.

Equinócio do Outono, do ano 2014

Delmar Domingos de Carvalho

 

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