Obras Editadas

A Natureza

 

Como é consabido, S. Francisco de Assis, figura ímpar da História da Humanidade, considerado por muitos como o Cristo da Idade Média, expressou elevados pensamentos sobre a Natureza.

Quem é que ao ler o seu místico Hino ao Irmão Sol não terá subido nas Asas do Amor?

Quem de Vós não terá ficado absorvido com o fraterno amor com que S. Francisco de Assis envolve a sua “irmã, a humilde e preciosa água”, os seus irmãos, os ventos, os animais; as suas irmãs, as plantas?

Como Ele ama com profundidade e numa visão espiritualista, toda a criação!

Que maravilhoso exemplo para muitos dos que, hoje, se consideram ecologistas! Sim, Ele foi e é, com efeito, o Pai real da verdadeira Ecologia.

Por sua vez, Bacon, um dos grandes sábios da Humanidade, século XVI, afirmou que “Deus e a Natureza se diferenciam entre si, como o selo em branco e a sua gravura”.

Nos finais do século XIX, princípios do século XX, Max Heindel, pseudónimo de Carl Louis von Grasshoff, difundiu uma renovada luz, na qual a Ciência, a Arte e a Religião estão consubstanciadas e que irá contribuir para a criação duma nova e superior civilização. Esta figura impar que a Humanidade ainda não foi capaz de lhe dar o seu devido valor, escreveu: “A Natureza é o símbolo visível de Deus”, acrescentando que, em nosso século, “existe uma forte tendência a pensar na Natureza de forma muito materialista”.

 

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Consciente destas verdades e do valor da Fotografia como meio de comunicação, esta Exposição tem como finalidade ajudar a que cada qual as descubra por si, se é que já as não descobriu.

Sua finalidade cultural e espiritual contribuirá, certamente, para que cada pessoa, que a analise, despida de preconceitos ou dogmas, venha a amar ainda mais o Criador e toda a sua verdadeira criação, o próximo, numa expressão panzoísta, mas não panteísta da Vida, na medida em que Esta é Una e interpenetra todas as formas, muito embora o espírito seja independente das diversas formas da matéria de que se serve para evoluir com elas.

É certo que se associarmos a Natureza, como sendo o Mundo Físico, este é o da ilusão, dos fenómenos; o verdadeiro, esse está por trás, pois como bem disse S. Paulo: “tudo o que existe manifestado, veio a existir do que não surge”.

Porém, a descoberta da Beleza e da Luz neste Mundo Físico, o levantar o véu dos que ainda são mistérios da vida e da morte, realizada sem preconceitos ou dogmas científicos, filosóficos ou religiosos, contribuirá para um melhor conhecimento de nós mesmos como microcosmos que somos, “Unidades” do Macrocosmo.

O estudo e a meditação sobre o maravilhoso Universo, onde vários Sóis e Terras se movem, perfeita e harmoniosamente, geometrizado com sabedoria, tal como o estudo e análise da constituição e funcionamento dos diversos reinos que evoluem na Terra, ajudam a chegarmos à conclusão de Voltaire: “Um relógio tão perfeito, como o Universo, não passa que não tenha um relojoeiro”.

Se a estas acções juntarmos o serviço amoroso e modesto em prol de toda a criação, então a verdadeira sabedoria nos iluminará e muitos mistérios da vida deixarão de o ser, para passarmos a “crer como S. Tomé”.

Vai longo este preâmbulo até porque em nossos dias queremos tudo conciso e rápido. Talvez, por isso mesmo, a Humanidade nunca esteve tão enferma.

Por outro lado a nossa observação, devido à pressa com que andamos e à vida nas grandes cidades (em que falta a visão dos grandes horizontes) é cada vez mais incompleta.

Por isso e porque o mestre-pintor distingue muitas cores, mais que o comum da humanidade vislumbra e porque o “olho que é a objectiva de uma máquina fotográfica” capta cores e pormenores que nos passam despercebidos, devido a essas deficiências, apesar do Ego Humano possuir um corpo físico, maravilhosa máquina onde os seus órgãos de visão são “aparelhos fotográficos” de enorme perfeição e capacidade, nós damos muito valor à fotografia.

O responsável por esta Exposição nada deseja para si, apenas vos pede um pouco de paciência e que a vejam não com o doido ritmo da actual civilização, mas com o da serena actividade da Natureza.

D. D. C.

 

Nota:

Esta exposição à qual lhe demos o nome de colectiva, dado que entre 105 fotografias, há 8 cedidas por pessoas amigas; contudo, não só a Catálogo com explicações de cada foto, algumas algo extensas, é todo da nossa responsabilidade, como a montagem e a circulação.

Esteve patente ao público no Bombarral; nas Caldas da Rainha; no Externato da Benedita, Alcobaça; na Câmara Municipal de Vila Real de Santo António.

 

Algumas opiniões

 

...apreciei particularmente, tanto na Exposição quanto no catálogo, o assumir das convicções polémicas e a busca do Supremo Belo que é algo platonicamente o Supremo Bem.

23-04-1988
V. R. Cabral
Professor de Filosofia
Escola Secundária do Bombarral

 

A procura da totalidade... da Beleza... dum saber estar... A polémica, sempre muito positiva, porque nos desperta e estimula.

23-04-1988
Adriana Seixas
Professora de Filosofia
Escola Secundária do Bombarral

 

Fiquei fascinado pelo que vi. As fotos presentes, elucidadas pelo catálogo, superiormente elaborado, leva-nos às alturas, deixando-nos suspensos, como que livres da materialização a que por força das circunstâncias nos encontramos.

09-04-1988
Assinatura ilegível

 

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