Obras Editadas

Contos e Ficções em Misteriosas Evoluções?

 

Contos e Ficções em Misteriosas Evoluções?
Pseudónimo Domingo de la Rosa
Edição de 1982
(Esgotada)

 

Depois de se inserirem algumas opiniões, juntamos o primeiro conto.

 

...um livro que reúne vários contos infantis...Escritos de maneira simples e acessível, procura transmitir os sublimes ensinamentos Rosacruzes aos espíritos em formação, aproveitando a sua natural curiosidade e o gosto pela leitura.

Revista ROSACRUZ, Nº 287
da Fraternidade Rosacruz de Portugal

 

...todos devem ler para esclarecer muitas dúvidas, que, por vezes, nos ocorrem, e que, numa leitura fácil, nos sensibiliza para um maior conhecimento do que nos rodeia.

Semanário REGIÃO DE LEIRIA,
de 03-06-1983

 

Es un trabajo maravilloso, labor de varios años de paciencia. Está escrito en un lenguaje fluídico, fácil de entender para la gran mayoría. El mismo permite a través de ese hilo del relato, llevar el lector de frente a esas grandes verdades que encierran todos los mitos...Una obra llena de belleza, mucho útil para la Difusión de las Enseñanzas Rosacruces.

Fraternidad Rosacruz Dominicana,
19 de Julio de 1983

 

 

Bilhete de entrada

Para o Misterioso Mundo das Plantas

 

Na cidade dos Celtas, Citânia de Briteiros, próximo da cidade, berço de Portugal, Guimarães, cujas ruínas, tal como essa antiga civilização, estão envoltas em algo misterioso, viviam dois jovens adolescentes, muito amigos, bastante atentos a tudo o que os rodeava e bem conhecidos nessa antiquíssima cidade, cerca de 800 anos antes de Cristo. Um deles, de nome Altino, era um moço alto, forte, de olhos esverdeados e cabelos loiros, o outro, de sexo feminino, era a bela Júlia, de olhos castanhos e de encantos tamanhos.

O Altino fazia anos no princípio de Fevereiro, era por isso do signo Aquário e como tal, de carácter progressista, amigo da Liberdade e da Fraternidade. Quanto à sua encantadora amiga comemorava o seu aniversário natalício em meados de Dezembro, portanto do signo de Sagitário, amiga do contacto com a Natureza e de Ideais Superiores. Não admira que, entre eles, houvesse entendimento e harmonia fisiológica, pois ele era dum signo de ar e ela dum de fogo e, como o fogo precisa de ar para se exprimir, eles eram amigos por natureza, mas leais e puros nas suas relações.

Perto dessa cidade vivia um sábio, de nome Siegfried ou Siguefredo, homem muito idoso, do qual ninguém sabia a idade, pois sempre o tinham conhecido assim. Morava numa quinta maravilhosa, onde as plantas cresciam e viviam por artes que pareciam mágicas.

Conhecedores deste facto, os dois jovens, sequiosos de saber, decidiram visitar o sábio.

Mal tinham andado duas centenas de metros, quando chegaram à entrada da quinta, onde encontraram Siguefredo, esperando por eles!

— Entrem amiguitos - disse o sábio, perante a admiração dos dois jovens que lhe perguntaram:

— Como sabe que nós desejamos visitá-lo?

— Captei os vossos pensamentos, por isso já sabia que viriam - informou Siegfried.

Altino e Júlia olharam um para o outro e interiormente disseram:

— Será isto telepatia? Quando será que teremos esse Poder?

O sábio, que leu novamente os seus pensamentos, esclareceu-os, dizendo-lhes:

— Estudem e trabalhem, dentro das Leis Divinas, que esse é o caminho mais seguro e recto para obter esse Poder, que permite não só captar longe os pensamentos, como lê-los, o que é superior à telepatia. Mas deixemos isso e vamos ao que vos trouxe e vos interessa saber que é conhecer um pouco do mundo maravilhoso das plantas.

— Sim, é precisamente isso que nós queremos aprender - disseram os jovens que lhe perguntaram:

— Como é que consegue ter sempre plantas tão belas e tão vigorosas?

— Saibam, meus amigos, que aqui tudo é semeado, plantado, transplantado, podado e colhido em dias e, por vezes, até horas apropriadas para o trabalho. Há dias bons para arrancar ervas daninhas, há dias bons para deitar à terra as sementes das flores de forma a que cresçam mais belas e exalem maior perfume, etc. Mas isso não é o suficiente, é necessário saber tratar dos terrenos e ter vivido de tal forma que não se esteja sujeito aos efeitos das pragas dos insectos. Estes têm a sua origem nos maus pensamentos, desejos e acções de cada qual e também no seu conjunto, ocasionando então destino colectivo. É necessário ainda tratá-las com carinho. Se as tratamos mal elas ressentem-se - disse o sábio, perante um silêncio atento dos dois jovens.

— Então as plantas também gostam de Amor! – Exclamaram Altino e Júlia.

— Precisamente, o Amor é a base de todas as relações, o entusiasmo e o carinho é o fio que as liga – Respondeu o sábio.

Ao lado do Altino e da Júlia estavam lindas rosas, que exalavam um perfume muito agradável.

Admirados com a sua beleza e embriagados com os seus perfumes, perguntaram a Siegfried:

— Estas plantas devem sentir uma grande vaidade pelos seus lindos vestidos e pelos seus agradáveis perfumes?

— Não – disse o sábio, que acrescentou: — Elas apenas sentem a sã alegria de poderem dar um pouco de prazer aos nossos olhos e ao nosso olfacto e de contribuírem para que os seres humanos sejam mais amigos da beleza natural do que da artificial. A vaidade é a glória das almas pequenas, das pessoas de pouco valor, que querem parecer grandes aos olhos do mundo.

— Então nós não devemos vestir bem e andar limpos? – Perguntaram os dois jovens.

— Vestir com gosto e higiene está correcto, o que está mal é a vaidade, o luxo, a moda extravagante, etc. – esclareceu o sábio, acrescentando:

— Lembrem-se que, se o Criador veste a rosa com estas cores tão belas e lhes dá este perfume que nos delicia, muito melhor vestirá o ser humano que cumprir as Suas Leis. Então da sua cruz florescerão as rosas e sairá o perfume eterno.

— Nesse caso deverá ser esse vestido que nós devemos procurar obter? – Perguntaram Altino e Júlia.

— Sim, o que vos deve interessar é procurar o reino da Verdade, da Luz e do Amor Superior e tudo o resto vos será dado por acréscimo – esclareceu o sábio.

Júlia, ao sentir-se fortemente atraída por um botão de rosa, de cor branco – pérola, pediu ao mestre:

— Posso apanhar este belo botão?

— Sim, minha amiguinha, mas tem cuidado não te piques – respondeu o sábio, que acrescentou: — os picos servem para nos lembrar que para sermos dignos do perfume das rosas e de vestirmos tão belas cores, teremos de vencer os picos da nossa natureza inferior, os maus instintos que só ferem e nos fazem sofrer.

Ao lado estava uma árvore frondosa, cheia de pequenitos frutos. Altino, quando os contemplava, perguntou:

— Mestre, como se faz a reprodução nas plantas?

Colhendo uma flor hermafrodita, o sábio começou a esclarecer:

— Escutem com atenção o que vos vou dizer. A planta tem os seus órgãos sexuais voltados para o Sol e faz a reprodução com pureza, mas de forma inconsciente. Nós temo-los para baixo, e, como somos de sexo diferente, precisamos da outra metade ou lado para podermos reproduzir o que é feito com consciência. As plantas são, na sua maioria, hermafroditas, como é o caso desta flor, onde estão os órgãos masculinos, estames, que são estes, e os femininos, cujo conjunto são os carpelos.

Os órgãos masculinos são semelhantes aos do Altino, têm filamentos ou o filete e na ponta está uma cabeça, a que lhe deram o nome de antera, onde se encontra o pólen, que contem grãos, uns são esporos e outros têm células com esperma, as gâmetas, que, quando caiem nos órgãos femininos, semelhantes aos da Júlia, dão origem à reprodução.

Os femininos têm uma entrada, que se chama estigma, parecida com a vulva feminina, onde cai o pólen, grãos de semente com esperma. Esse estigma é viscoso, isto é, pegajoso, para que o pólen seja fixado, passa por este tubito que estais vendo, que se chama estilete, de função análoga ao canal entre a entrada e o útero da mulher, até que chega a esta zona, que, agora, acabo de abrir e que se chama o ovário, onde se encontram os óvulos. É então que tem lugar a fertilização com o nascimento das sementes e dum novo fruto. Isto nas plantas é feito sem mancha, de forma casta e só quando elas reúnem condições físicas para tal. O mesmo deverá ser no ser humano, que deverá saber aguardar e preparar-se para ter condições para isso.

— O que é que acontece? – Perguntou Siegfried — se mexerem naquele botão de rosa e tentarem abri-lo antes do tempo de desabrochar por si?

— Murcha e não será uma rosa – responderam Altino e Júlia.

— Pois é isso o que acontece, quando se mexe em algum botão de rosa, ser humano, antes do tempo, ele ou ela murcha e perde o encanto – acrescentou o sábio.

— Se bem percebi existe também para nós uma forma de fazer subir as energias sexuais, tal como nas plantas? – Perguntou Júlia.

— Sim, esse tem sido o meu caminho – esclareceu Siegfried, que acrescentou: — É preciso amar em obras e em verdade toda a criação, inventar algo de original e útil para a humanidade e para todos os reinos, criar obras originais sejam literárias, musicais ou artísticas e fazer tudo com pureza. Então a energia que não é empregada na reprodução, sobe pela coluna vertebral, em forma serpentina, e vai activar a glândula pineal, localizada no cérebro, que se assemelha a um fruto, em forma de pinha.

«Não se esqueçam, porém, que a maioria de vós deverá casar. A abstinência total é só para seres muito superiores. Esta não é sinónimo de castidade. Enquanto na abstinência absoluta, quando imposta por si ou por outras circunstâncias, pode não existir pureza nos pensamentos, na castidade ela existe, podendo até ter lugar a reprodução.

Mestre e jovens continuavam percorrendo a quinta até que, reparando no musgo duma árvore já secular, o Altino lembra-se de perguntar:

— Mestre, quais são os seres adiantados e os atrasados no reino vegetal?

— Os mais adiantados são as árvores. Quanto aos mais atrasados temos os musgos, os quais, contudo, exercem uma valiosa função para o meio ambiente. As formas em todos os reinos ou avançam ou degeneram e, neste caso, podem cristalizar. Então aparecem no reino mineral, como é o caso do carvão de pedra, que teve origem na madeira petrificada e da mica do granito que é o resultado da cristalização de flores pré-históricas!!! - ensinou o sábio.

— Por isso há que progredir e não degenerar. Não é assim meus amiguitos? – Perguntou Siegfried.

— Não há dúvida, responderam os dois jovens em uníssono.

— Venham por aqui – disse o Mestre.

Umas dezenas de metros percorridos e o sábio parou e disse:

— Estão vendo estas duas plantas?

— Estamos, sim – responderam, acrescentando: — estão doentes! Na sua quinta parece impossível?

— O que se passa é muito profundo – esclareceu o sábio, que acabou por explicar, dizendo: — a planta cujas flores nos fazem lembrar os órgãos sexuais masculinos dos seres humanos é do signo Escorpião, que rege os genitais, aquela é do signo de Leão. Esta é do signo de fogo; a outra, de água; logo fogo e água não se dão. Temos de separá-las.

— Se quiser, fazemos isso – disseram os jovens.

— Hoje, não é dia apropriado para esse trabalho. A Lua está no signo de Carneiro, só é bom para arrancar ervas daninhas. Obrigado, no entanto, pelo vosso espírito de colaboração, que prova o vosso desejo de progresso – respondeu o sábio.

— Nesse caso, então, entre as plantas também há inimigos – disse o Altino.

— Não é bem isso, mas sim desarmonias fisiológicas, electromagnéticas, como existe entre as pessoas. Há algo invisível em tudo, muito está por descobrir. A Vida está em toda a parte, tudo interpenetra. Por isso, sejam amigos das plantas, deitem sementes à terra, plantem árvores, flores, reguem-nas, tratem-nas com amor, tendo muito cuidado com o fogo. É um enorme crime deitar fogo às florestas, os incendiários cá as pagarão, nesta vida, ou quando reencarnarem, com provas de expiação, que poderão ser de demência. É que perante as Leis Divinas todos somos iguais, sejamos ricos ou pobres, soldados ou generais – esclareceu o sábio.

— Bem, por hoje chega e muito obrigado por tudo – disseram os jovens.

— Obrigado eu, por permitirem que vos fosse útil – respondeu Siegfried.

Altino e Júlia despediram-se com um forte e fraterno abraço, regressando à cidade.

Passaram anos, poucos, de vivo e alegre namoro, até que decidiram, juntos pelo matrimónio, seguirem os conselhos do sábio.

E os resultados foram excelentes para eles e para os 7 filhos que tiveram, quatro meninas e 3 meninos, todos belos e saudáveis, que faziam parar as pessoas para admirar tanta beleza.

 

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