Natal em cada dia


Ainda que Cristo nasça mil vezes em Belém.
Se em ti mesmo não nasça tua alma segue extraviada.
Não importa que no Gólgota contemples levantada
A Cruz, se não é um Gólgota o teu coração também.


Angelus Silesius          
(1624-1677)           

Médico polaco e monge católico
Versão livre de Delmar Domingos de Carvalho

 

No movimento cósmico da Vida cíclica espiralada, eis de novo o Natal, verdadeiramente, no Solstício do Inverno, no Hemisfério Norte, como o é no do Verão, no Sul.

No Plano Cósmico a partir daqui começa um novo ano...

Estamos no Natal, data ligada a Jesus, a Jesus-Cristo, a Cristo, ao Amor Universal, à Fraternidade, à Libertação.

Como seria maravilhoso, se cada dia fosse um Natal vivido em obras e em verdade?!

Em vez destas guerras com balas e submarinos, destas lutas financeiras e socioeconómicas e outras, já estaríamos para além dos Estados Unidos da Europa, a Humanidade viveria com um Parlamento Mundial, sob um Governo Universal em que a Lei seria o Amor.

Mas, a realidade é o que é.

Até quando?

Tudo tem o seu tempo e tempos virão que esse estado de coisas deixará de ser utopia para ser topia.

Até lá, aprendamos a renovar a nossa mente, enchendo-a de pensamentos positivos, de amor, de perdão, de criação e de inovação; transmutando os negativos e inferiores sentimentos e emoções em estados emocionais em que a nossa alma se elevará aos mundos das artes, da beleza, da harmonia, do altruísmo, da cooperação amistosa e fraterna, vencendo definitivamente esta mentalidade destruidora, egoísta, materialista, competitiva.

E ou seguimos o caminho da elevação ou cada vez mais mergulhamos nas trevas e nas doenças e inquietações, medos e inseguranças.

 

Meditemos sobre tudo o que está sucedendo por toda a parte. Cheias, terramotos, tornados, maremotos, e outros cataclismos naturais, sobre o miserável estado financeiro a que chegou este sistema em que uns tantos espertalhões, estão obtendo lenha para se queimarem, agora cavalgados pelos bens terrenos, pois são eles que os cavalgam.

Esquecem ou ignoram que perante a Lei da Causa e do Efeito somos todos iguais e que esta funciona perfeitamente, pelo que colhemos o que semeamos.

Vamos semear bondade, sorrisos, perdão, amor, amizade sincera, trabalho honesto, criação de empregos que respeitem as Leis da Natureza, sistemas justos e fraternos, boas oportunidades para todos; ajudando o que mais precisa, aliviando a dor dos nossos irmãos e irmãs.

O nosso coração tem de ser um Gólgota, de outro modo, continuamos perdidos na matéria, na ilusão do poder ou da fama.

Como bem afirmou Padre Zézinho, o sacerdote que soube escutar os ventos do Vaticano II, e começou a semear luz, música, essa linguagem do amor, escrevendo:

Como tudo seria muito melhor, se o Natal não fosse um dia, e se as mães fossem Maria, e se os pais fossem José, e se cada qual se parecesse com Jesus da Nazaré.

Que cada dia, seja Natal.

 

Delmar Domingos de Carvalho

 

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