Vida Cíclica e Espiralada
Estações do Ano

I

Equinócio da Primavera,
A Ressurreição, A Páscoa



Por toda a parte se vê que a Vida se manifesta por meio de ciclos e que estes são espiralados.

Há um constante fluxo e refluxo da actividade em todos os domínios da Natureza. Assim temos a alternância do dia e da noite, das Estações do Ano, do ciclo lunar, da vida e da morte, etc, etc.

Conhecemos o ciclo da água, do carbono e outros. São vários os ciclos cósmicos, desde o lunar, já focado, até ao Grande Ano Sideral, devido ao movimento de precessão dos equinócios da Terra, que dura cerca de 26 000 anos, tempo que leva a percorrer as 12 Constelações do Zodíaco, como aos ligados às erupções solares e assim por diante.

No organismo humano existem o Ciclo de Cori (transformação do glicogénio no organismo); o ciclo do ácido tricarboxílico do corpo físico o ciclo fosfoglicerato nos eritrócitos. Por outro lado, o A.D.N. essa molécula da vida actua em forma espiralada, como o início dos sistemas solares também têm uma belo formato em espiral.

Face ao exposto, tudo está sujeito a esta Lei cíclica e espiralada. Desde os seres da onda de vida do reino vegetal, ao do animal e também ao humano.

Seria absurdo que o Homem não estivesse enquadrado nas Leis da Natureza.

Logo, ele nasce neste mundo físico; ou melhor renasce; cresce, multiplica-se, e torna a subir aos mundos menos densos, para a seu tempo, voltar à Terra, nossa Escola de aprendizagem, tal como a água, como bem descreve Goethe na sua famosa obra: FAUSTO. Assim ela circula na Terra, evapora-se, e lá vai até aos céus; não se vê, mas, a seu tempo, condensa-se e de novo regressa ao mundo físico para circular, e novamente subir.

Voltemos ao Ciclo das Estações do Ano.

Recentemente, a Terra entrou no Solstício do Inverno, caminhando para o Equinócio da Primavera, isto, no Hemisfério Norte. Com esta cíclica mutação, sempre diferente, de ano para ano, porque a vida é em espiral, logo nada se repete de modo igual, eis que temos a vida renovada, cheia de vitalidade.

As árvores rebentam, vestindo-se com lindas flores, que, a seu tempo, se transformarão em deliciosos frutos, desde que sejam biológicos. A renovação é profunda; os campos enchem-se de flores silvestres, na sua beleza singela, também os jardins e os parques sentem uma profunda renovação, com novos rebentos e novas flores.


Roseiral na Sede Mundial
Roseiral na Sede Mundial, Oceanside, California
Roseiral



Ninho de ovos de melro


Melros no ninho
As aves acasalam-se, preparando os seus ninhos, para a procriação.

As brisas geladas e fortes dão lugar a ventos mais melódicos, suaves, tudo convidando a salutares passeios pela Natureza, ou a trabalhos campestres mais ou menos bucólicos.

Os pintores possuem uma profunda capacidade de observação e de criação, captam muitas cores que a maioria dos seres humanos ainda não o consegue, como vêem para além da realidade e ou nos dão quadros abstractos ou outros mais naturalistas, ou ainda comunicam emoções, factos, realidades, sob a capa de mitos, de símbolos, que nem sempre conseguimos decifrar o seu elevado alcance, a sua função libertadora, por meio da matemática, da geometria, da filosofia e da música que eles encerram, algumas das vezes dentro da harmonia perfeita da secção dourada.

Neste campo os artistas do Renascimento foram grandes especialistas, legando-nos pinturas das mais belas e maravilhosas que ainda existem, desde as de Miguel Ângelo, a Rafael, Leonardo a Botticelli e outros.



II

A Primavera



Analisemos o célebre e muito popular quadro sobre A Alegoria da Primavera do filósofo rosacruciano, Botticelli.

Quadro A Alegoria da Primavera, de Botticelli
Aqui temos a famosa Alegoria da Primavera, de Botticelli.

Este célebre pintor renascentista (1445-1510) deixou-nos diversas obras, todas cheias de alegorias e de símbolos que têm originado muitas interpretações, cada qual com a sua face da Verdade.

Pela nossa parte, no caso, já há alguns tempos que comunicámo-la, via oral, numa Feira do Livro.

Mas, há sempre algo que vamos acrescentando...

Antes de mais, temos de ter bem presente que Botticelli nasceu e viveu em Florença num período de grande vida cultural nesta cidade muito rica em património cultural.

Naquele tempo floresciam na cidade da flor, ideais neoplatónicos ligados a Marsílio Ficino (1433-1499) outra personagem ligada ao movimento rosacruciano, que influenciaram muitos pintores e escritores, etc.

Botticelli foi um deles. No caso terá sido quiçá um Mestre amigo presente...

Numa análise frontal, surge-nos um quadro que encerra os meses da Primavera, na sua ligação ao Cosmo, aos Signos Carneiro, Touro e Gémeos, numa dança cósmica, algo espiralada, cheia de música.

Comecemos por Zéfiro, o vento do Ocidente, suave e fresco, o qual derrama as flores durante o voo, o que sucede noutro quadro também excepcional, O Nascimento de Vénus, do mesmo pintor, em que eles enviam rosas para a deusa do Amor. Aqui temos Áries na sua renovação da vida, a ressurreição, o qual deseja agarrar a deusa Flora. Zéfiro tinha um altar em Atenas onde sacrificavam ovelhas brancas, sendo esposo da ninfa Clóris, Flora, no culto romano, a deusa das flores.

Vemos, assim, que o andamento musical começa mais vivo, mais alegre, qual alegro da partitura.

No Centro, Vénus, trajada, com porte de rainha e de deusa, serena, num andamento mais lento, como que indicando a passagem sob a Constelação de Touro, do grupo dos signos fixos.

No cimo está Cupido com a sua seta do amor.

Continuando, eis 3 Graças, numa dança, qual eterna valsa. Elas são, Aglaya (Esplendor); Eufrósina (Alegria) e Talia (Boa Disposição).

Tinham como função dar vida, encanto e beleza, dançando ao som da Lira de Apolo, o Sol. Juntas com as Musas formavam a orquestra para o banquete no Olimpo.

Estamos ainda em Taurus.

Mas como Deus tem como um dos atributos, O Movimento, eis que surge logo outro quadro.

Aí está o nosso amigo Hermes, Mercúrio dos romanos, o mensageiro dos deuses, uma das personagens do nosso trabalho: A QUINTA VIA RUMO Á CIDADE DA ROSA.

Como regente do Signo de Gémeos, ei-lo apontando com o dedo para cima, como que comunicando que o nosso caminho é para os Céus, é assaltar pela via do Caduceu, do Ceptro de Mercúrio ou seja, pela Iniciação, atingirmos a libertação definitiva da necessidade dos renascimentos.

Cabe a cada qual escolher o caminho.

Estes são alguns dos tópicos que este belo quadro nos comunica.

Muito mais ele encerra.

Cada qual é livre de investigar e retirar ilações.

Procuremos seguir o caminho reto, rumo à libertação, como Cristo ensinou e Max Heindel, arauto dos Irmãos Maiores, sabiamente esclareceu.

Pelo serviço amoroso e constante vamos por esta via, doutro modo, seguiremos o penoso trajeto da espiral em espiral.


Escada em espiral no Convento de Cristo
Escada em espiral no Convento de Cristo

III

A Ressurreição



Como já lembrámos, a Vida nesta Estação do Ano ressurge em toda a sua força e dinamismo universal.

Esta, em grande parte, é graças à suprema atividade, plena de Amor e de Luz, do Cristo Cósmico, omniconscientemente unido ao Pai e a Javé, em Deus, a Única fonte de Energia, na qual temos o nosso ser, nos movimentamos e vivemos.

No Outono, um Raio de Si mesmo desce até ao Mundo Físico da Terra para lhe dar um novo impulso, e uma nova renovação e purificação do Mundo; até que no dia 21 de Março se ergue até ao Trono do Pai, libertando-se deste pesadíssimo fardo que é o ambiente materialista e negro em que a Terra ainda está, com as suas ondas de vida.

Max Heindel explica estes acontecimentos, com a sua luz, em diversas obras.

Nos Ensinamentos de Um Iniciado, Edição da Kier, Argentina, 1965, Max Heindel esclarece que:

Uma exalação que se manifesta como a força da ressurreição, que dá novos impulsos a tudo o que vive e se move na Terra, uma vida abundante não só para manter, mas também para propagar e perpetuar.

Deste modo o drama cósmico de vida e morte desenrola-se anualmente entre todas as criaturas e em tudo o que evolui, desde as mais altas até às mais baixas, porque até o Grande e Sublime Cristo Cósmico se sujeita, em sua incomensurável compaixão a este estado de coisas, sofrendo as dolorosas condições de nossa Terra durante esta parte do ano.

Quanto mais rapidamente O seguirmos em obras e em verdade, mas cedo libertar-nos-emos e ajudaremos a criação a erguer-se acima da matéria física.

Sejamos bons servidores, de modo que possamos oferecer o pão anímico a Deus, tecendo o traje nupcial com o nascimento do Cristo Interno, participando ativamente na Páscoa, nessa Festa que encerra “passagem” a um nível mais alto, mais sublime, mais puro, “poupando” muito tempo nas vidas cíclicas espiraladas, e podendo servir muito mais e melhor.

Nestas valiosas tarefas, aprendamos as lições que estão encerradas em cada uma das 12 Casas do Tema Natal, por meio dos grãos de trigo que Deus nos oferece por meio das 12 Hierarquias Cósmicas ou Divinas.

Tomemos parte na Festa da Mesa dos 12 Pães da Proposição, servindo com amor e humildade, amando e perdoando, consagrando a nossa vida a ideais superiores, concretizados no trabalho alegre e restaurador, da renovação da vida primaveril.

Aproveitemos as oportunidades, criemos outras por meio de epigénese para um Mundo muito melhor, rumo á Fraternidade Universal, sob a égide de Cristo.

Só por meio de trabalho honesto, digno, em sintonia com as Leis Divinas, é que somos dignos de participar na Festa da Páscoa.

De outro modo perderemos este comboio da evolução, pouco importa o posto que tenhamos, ou o dinheiro que possuímos, ou as dádivas mais ou menos egoístas, sem o dador.

Deus deseja um bom e fiel servidor e não um bom filósofo, ou comendador.


Jesus-Cristo pregando o Reino de Deus

Jesus-Cristo falando a todos os seres humanos, das mais diversas raças, para a construção do Seu Reino: a Fraternidade Universal.

 

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