Palestra proferida
por
Delmar Domingos de Carvalho

No dia 1 de Novembro de 1993
500 Anos da data do nascimento de Paracelso
no Auditório Municipal do Bombarral

Paracelso,
Médico, Filósofo, Teólogo, Profeta
e
Social-Reformador


Estátua de Paracelso, em Salzburgo
Estátua em sua honra em Salzburgo,
foto de Maria Amélia Carvalho, 1993


Gravura de Salzburgo do Século XV
Gravura de Salzburgo do Século XV

Paracelso foi uma das personalidades mais enigmática e controversa do Renascimento.

Como disse, no século XX, o Professor Dr. Carl Yung, o criador do Inconsciente colectivo, acerca de Paracelso: Ou somos grandes admiradores ou acérrimos detractores. Este psicanalista foi um dos que elogiou a obra paracelsiana nos campos científicos e filosóficos.

Outra pentalfa que irradiou Luz e Amor em várias áreas, entre elas, escolhemos cinco, formando uma estrela pentagonal.

Como médico foi e é famoso, tratou por ciência maravilhosa que será uma das bases da medicina dos séculos XXVII e seguintes, ou seja da Idade do Aquário.

Por isso, não será de admirar, que, em pleno século XXI, ainda há inimigos ferozes, entre os escolásticos e os fanáticos, como no meio dos exploradores da arte sagrada.

A medicina que exerceu, intimamente ligada à Alquimia, tinha por base o saber experimentado, as profundas investigações na Natureza, a fim de desvendar muitos mistérios de modo a obter preciosos produtos alquímicos que sararam muitos doentes, alguns em estado, considerados incuráveis.

O mundo actual necessita de outro Paracelso, ou vários, para que se consigamos eliminar as causas de tantas doenças como das epidemias.

Descobriu numerosos produtos, alguns, actualmente usados na Farmácia, outros ainda desconhecidos.

Embora escrevesse com alguma clareza, contudo, quando os temas estavam ligados à Alquimia, Paracelso usou terminologia que não é fácil desvendar desde os símbolos às palavras que criou.

Entre os produtos descobriu o sulfato de mercúrio, o ópio, etc, etc.

Sabia extrair os componentes com poderes curativos dos minerais, como dos metais, dos vegetais, o que exigia uma capacidade muito elevada de intuição e uma clarividência aprofundada pelo amor ao próximo e pelo seu ideal em seguir Cristo no mandamento: Curai os enfermos.

Ao defender que a força criadora da Natureza é um Espírito Invisível e Sublime, Paracelso divulgava a filosofia hermética dos rosacruzes.

Consideram que os minerais como inertes, sem vida, todavia, encerram dentro de si a quinta-essência com poderes curativos, que são oriundos de produtos de corpos que já viveram.

Tudo usou com fins altruístas, defendendo que os colegas que actuam por egoísmo, pouco ou nada fazem para a cura dos doentes.

Ao mesmo tempo usou com maestria a ciência sagrada da astrologia para curar os enfermos, no fundo era um místico, um filósofo cosmocrata, que sabia que a Vida Única estava em toda a parte.

Analisando as suas obras concluímos que Paracelso é um expoente elevado da filosofia hermética, aquela que se debruça sobre a unidade da Vida e das formas que involuem e evoluem e tudo isso numa concepção panzoísta, como já se afirmou.

Estuda as interligações entre os microcosmos e o Macrocosmo, entre o ser humano visível e o invisível.

Como disse, S. Paulo: O que é visível, veio a existir do invisível. Paracelso afirmou que para ser um bom médico tem de ser um bom filósofo e um bom teólogo.

Sua filosofia está intimamente ligada às ciências, à teologia, à reforma interna do ser humano como à sociologia.

Os meus colegas, dizia, vivem num labirinto porque não conhecem a filosofia natural da Unidade Cósmica, daí a sua confusão e as suas falsas curas e incapacidades.

A Unidade existe em toda a parte, onde Leis Sábias reflectem a existência da Vida Una, na qual vivemos, temos o nosso ser e nos movimentemos. Tudo obedece a essa Unidade, menos o ser humano. Por isso, ele vive em guerra consigo mesmo e com os outros, inclusive com toda a criação.

Paracelso investigou a Natureza e as Suas Forças e Leis, as suas formas, com confiança e Fé. Para ele, a Fé era uma estrela luminosa que guia o investigador através dos segredos da Natureza.

A sua Fé iluminada, com obras, acercava-o de Deus, pela mente e pelo coração. Logo era um acérrimo adversário dos cépticos, consciente dos perigos que tais atitudes encerram, na busca da Verdade e para o equilíbrio interno.

Nada existe que não venhamos a descobrir, defendia. A Luz que nos iluminará nesse caminho é a do Espírito e não do orgulho intelectual.

A sua teologia era a da libertação, activa, em prol dos que sofrem, dos perseguidos, dos explorados.

Daí que a maior parte dos doentes por ele curados, eram pobres, camponeses, por isso, ele toma parte na defesa dos seus direitos, desde a liberdade ao reconhecimento do seu labor, chegando mesmo a participar numa das suas revoltas, como sucedeu em Salzburgo, Áustria, acabando por ser preso.

Tal como Cristo viveu entre os pobres, os perseguidos, os doentes. Todavia, também esteve entre os que então ocupavam lugares de poder, quando necessitavam para os curar, dado que os seus colegas não eram capazes.

Vivia o Ideal de Cristo em obras, daí afirmar que a boa Natureza está nas acções e não nas palavras e que Deus deseja é os nossos corações, o nosso amor em obras, mais do que as cerimónias religiosas.

Na sua teologia ataca todas as superstições, condenando inclusive que se dêem nomes de santos a doenças como o caso de Baile de São Vito e outras.

Paracelso, como católico livre e independente, defendeu em sua obra A Filosofia Oculta, os sacramentos.

No fundo ele era um ser profundamente religioso, um cientista espiritualista que afirmava: jamais usei o nome de Deus de modo ligeiro ou com fins egoístas.

Aqui está um nobre exemplo de cristão-rosacruz.

A sua vida foi cheia de provas mais ou menos difíceis, que tanto o fizeram sofrer, donde extraía mais e mais sabedoria até que terá chegado o momento de nascer para os mundos superiores, deixando aquele corpo muito fatigado.

Contudo, a sua luz continua a iluminar, ela é um farol da esperança para um mundo muito melhor.

Não será de admirar que continuem a prestar-lhe as devidas homenagens e que muitas pessoas pedem a sua ajuda.


Foto em que se desconhece o seu autor, mas que revela que Paracelso continua a ser admirado por muitos, como afirmou Carl Yung.

Profeta e filósofo milenarista, prognosticou a queda dos pseudo valores espirituais da civilização ocidental e com eles todos os sistemas intimamente ligados, surgindo, então, os valores reais com vigor, dinamizando a construção dessa era cultural, simbolizada, no novo milénio, teoria que, entre nós teve e tem muitos defensores, dos quais destacamos desde um Bandarra, Padre António Vieira, Fernando Pessoa, Prof. Agostinho da Silva.

Para a construção dessa Nova Era Cultural há que vencer todos os preconceitos, dogmas e convenções sociais, que sejam obstáculos na procura da verdade e na busca da libertação.

Nesse campo, também, Paracelso nos deu o exemplo, defendendo os direitos humanos numa perspectiva espiritualista cristã, libertando-se dos preconceitos, dogmas e convenções sociais cristalizadas.

Consciente de que os períodos históricos são fases para o aperfeiçoamento e desenvolvimento das civilizações, prognostica que um dia o ser humano verificará que a Unidade é a verdadeira realidade da Vida e que só vivendo-a, na sua plenitude, poderá haver paz, segurança, tranquilidade e liberdade.

Nesta hora em que se comemora o 5º Centenário do seu nascimento, sigamos Paracelso.

Se o fizermos, com mente aberta e com sentido altruísta, encontraremos valiosos conhecimentos e muitas respostas para a resolução dos problemas que nos afligem, além de Luz para o campo científico, tudo isso para Bem da Humanidade e para Glória de Deus, como era seu desejo.


O autor no uso da palavra
O autor no uso da palavra.

 

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