A Dança

 

A Música é a criadora de tudo quanto existe

Santo Isidoro de Sevilha

 

Origens remotas

O que é que sabemos sobre o passado? E mesmo sobre o presente?

Quanto mais investigamos, quanto mais analisamos, quanto mais meditamos sobre esta área, mais razão damos a Sócrates, esse grande sábio grego: “Só sei que nada sei”.

Embora imbuídos dessa humildade, possuindo essa mente aberta, todavia, temos o dever de pensar, de investigar e de concluir.

Neste campo, como em muitos outros, as verdadeiras origens remotas estão bem fechadas no Arquivo Cósmico Universal.

Descendo ao nível de um simples ser humano, ardente de descobrir as diversas faces da verdade, de subir até à montanha para dali observá-las, só que esta escalada para o seu cume onde se encontra? Não será uma eterna caminhada na evolução cíclica e em espiral?

Bem, subindo até aos confins do Universo, concluímos que a Dança tem a sua origem, como tudo, no Ser Supremo, cuja omnisciência está para além da nossa actual capacidade de entendimento...

Tudo se move, desde as partículas mais ínfimas, até as estrelas. O Movimento é uma das Suas expressões.

E Este o que é? Não estará intimamente ligado à Música, no seu sentido mais lato e profundo, como nos afirmou esse grande sábio, Santo Isidoro de Sevilha (560-636)?

Neste sentido, todos os aspectos da linguagem universal, desde a dança até ao canto, possuem uma génese transcendental. Ela está em tudo o que é manifestado, ou por outras palavras, em tudo quanto existe.

A Música, como Verbo, Palavra Criadora, desceu num ilimitado Coro Cósmico que se expressa na Triplicidade Divina: Vontade (Harmonia); Sabedoria (Melodia) e Movimento (Ritmo).

Os grandes génios da História Universal descreveram essa união, falando sobre a incomensurável Harpa Cósmica, pintaram ou esculpiram Seres Celestiais relacionando-os com a Música.

Quando analisamos a Mitologia dos povos antigos, uma questão surge em nossa mente: Quem é que terá dado ao ser humano, esses meios de ligação, algo infantis, adaptados à mente humana de há mais ou menos milhares de anos?

Escritores geniais, pintores famosos, grandes compositores, serviram-se desses contos, desses mitos, para criarem as suas obras imortais e universais desde um Luís de Camões, a Shakespeare, de Leonardo da Vinci a Botticelli; de Mozart a R. Wagner.

Antes, porém, já nos séculos V, VI e noutros, surgem escritos célebres focando a música, desde Homero nas suas obras Ilíada e Odisseia, com danças guerreiras, casamenteiras, fúnebres, etc; como em Euripedes (485-406) A.C, na sua “Dança Cósmica”, foca o “etéreo bailado cósmico”.

Mais para Oriente surgem as danças em honra da deusa Shiva e muitas outras.

Os gregos deram o nome de Apolo ao Sol, como deus da música, da medicina, etc.

Hoje, sabemos que a música desde a dança, caso das danças do ventre e outras, até às obras de Bach, de Mozart e às valsas de Strauss, etc, têm grande valor na medicina!


A Dança de Apolo com a Musa

Obra do pintor renascentista, Giulio Romano, sob o tema:

A Dança de Apolo com a Musa.

Porque escolheu 10 figuras, igual à Unidade? Estes génios, seja no que fosse, comunicavam muito por meio de símbolos, etc.

Ao falar em Musa, vemos a ligação que esta tem com Música e Museu, local que, no início, os artistas se reuniam sob a inspiração das musas, a fim de, pela criação de obras geniais, se elevarem à divindade.

Ao lermos os textos religiosos antigos, os seus cultos, a Música, desde o Canto à Dança, está presente.

Isso mesmo encontramos no Antigo Testamento em que a Música aparece, ora ligada ao labor pastorício (Gén.4-20); ora ligada à dança, aos festivais da vindima, às festas de casamento, aos hinos fúnebres, aos Cânticos, enfim numa estreita ligação com este povo culto.

Em todas as civilizações antigas ela tem um carácter sagrado, como um “maná” oferecido pelos deuses ao ser humano, na sua peregrinação no deserto, que, em boa verdade, é o mundo físico, fazendo-lhe recordar a sua verdadeira pátria celestial.

Muito embora nada exista do texto original do Antigo Testamento e este tenha sido escrito no hebreu antigo, do lado esquerdo para a direita, palavras ligadas, por vezes, sem uso das vogais, contudo há muito de valor incomensurável nesta maravilhosa obra.

Só que ela tem de ser interpretada, não literalmente, neste caso, dá enormes erros, mas sim, com mente aberta, descobrir o que está escondido nas pérolas das alegorias, das parábolas, dos mitos, dos símbolos.

Caim e Abel são símbolos da Humanidade, que logo no começo da evolução tinham espíritos com inclinações diferentes; os de Caim com gostos para as artes e ciências, ou melhor, os filhos de Caim, como Jubal que foi progenitor de quantos tocam harpa e flauta; Tubal-Caim dos que fabricavam instrumentos de cobre e de ferro.

Por sua vez, os descendentes de Abel, mais precisamente de Set, seguiram o sacerdócio.

Mais uma vez, a música surge em plano elevado e logo desde o princípio...

Outros casos são alegorias astronómicas, como Jacob e as suas quatro esposas, como as 12 tribos de Israel.

Jacob simboliza o Sol e as quatro esposas, são as 4 fases da Lua.

Israel, que significa “Deus vence, lutando”, simboliza todos os seres humanos que lutam, que trabalham, que progridem para a libertação, união com Deus.

Quanto às 12 tribos, vemos que só uma é feminina, Dina, numa ligação à Constelação Virgem, e que Simeão e Levi, irmãos, simbolizam a de Gémeos. Assim, temos 12 e não 13, numa ligação cósmica ao Zodíaco.

De novo a ligação dos seres humanos ao Universo, como que comunicando que, verdadeiramente, somos cidadãos universais.

A música, a dança ajuda-nos nesse caminho para a União com a Unidade da Vida.

Também, Sansão, do hebraico, “shemesh” quer dizer, de novo, Sol.

A Sua força está nos cabelos, ou seja, nos raios solares, que, no Signo de Virgem, Dalila, perdem a sua força, esta corta-os e fica à mercê dos Filisteus, símbolo dos meses do Inverno. Mas, após sofrer e morrer, Ele derruba as grades da cadeia e liberta-se e com Ele a renovação da vida na Primavera, agora, com a Ressurreição do Cristo Cósmico.

A dança surge, assim, desde tempos imemoriais, numa ligação ao sagrado, a Deus, ou aos deuses.

A Humanidade infantil terá começado a pular, a vibrar com os sons dos pés, com as mãos, por meio de movimentos corporais terá procurado imitar ora o ondulante movimento dos peixes, ora os dos ramos das árvores, ora os movimentos do ar, como da água, num compasso binário, fluxo e refluxo, como uma marcha.

No início, teremos dançado, pulando de alegria ou de dor, saltando de ramo em ramo, ou no solo, mas sem ritmo, sem arte, até que esta surge em modos primitivos, algo sagrados, evoluindo cada vez mais, ora como manifestação religiosa, ora como intervenção na sociedade, nas tribos, nas etnias, e mais tarde de modo algo teatral.

No Antigo Egipto sabemos de alguns costumes ligados à dança, à música pela leitura de esculturas, pinturas.


Sacerdotisas egípcias tocam e dançam
Sacerdotisas egípcias tocam e dançam, num culto sagrado.

Apolo com a sua lira
Apolo com a sua lira, na cultura grega.

Anjos músicos tocam para o baile
Os anjos músicos tocam para o baile no
Salão de Baile do Hotel do Buçaco.

Dança sob o tema Cai a Neve

Dança sob o tema Cai a Neve, Coreia do Norte, numa ligação aos movimentos da Natureza, no caso, ao ciclo da água.


Anjo Músico, obra de Melozzo da Florì
Anjo Músico, obra de Melozzo da Florì
(1438-1494)

No Renascimento, como é consabido, houve toda uma renovação da cultura antiga. Aqui está uma ligação artística aos Cânticos Celestiais.


A Natividade Mística, de Botticelli

Nesta obra de Botticelli, A Natividade Mística, a Música, a dança cósmica no alto, em número de 12 Seres Celestiais, e em baixo, o abraço de amor fraterno, num movimento cheio de libertação e de alegria.

Eis um resumo dos resumos sobre este grandioso tema.

 

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