As artes

Introdução

 

Neste tema vamos incluir as Artes no seu sentido lato e profundo, que vão desde as chamadas belas-artes até à arte de comunicar, seja pela voz ou pela escrita, desde as canções à dança, da decoração aos ofícios, enfim tudo o que necessita de imaginação criadora, de capacidades estéticas, incluindo para amar.

Segundo esta visão, a medicina, por exemplo, encerra arte e não só ciência; expressar-se em diversos idiomas encerra não só estudo, como capacidades auditivas, de comunicação pela voz, como até saber desenhar, escrever.

A poesia é uma arte; todo o mundo reconhece que conceber uma canção, um soneto, uma elegia, até mesmo uma simples quadra, é necessário engenho e arte.

Como sabemos, ao longo da nossa longínqua evolução, temos cultivado as diversas áreas a que neste caso chamamos de artes. Saber andar a cavalo também é uma arte. Tudo o que eleve, tudo o que encerre beleza, tudo o que comunique, tudo o que nos faz meditar, contemplar, é uma arte.

Uma bela fotografia pode encerrar beleza, comunicar algo que nos eleve; cultivar as flores, jardinar, é outra arte de enorme valor.

Saber amar, é uma arte. Saber perdoar, é uma arte.

Para nós não há artes menores, nem artes maiores; tudo depende da perfeição como a obra, o trabalho, são feitos.

Para ser advogado não será preciso arte? Para ser um bom magistrado não será preciso arte? Para ser um bom engenheiro não será preciso arte? Para ser um bom fisioterapeuta não será preciso arte? Para ser um bom educador, não será preciso arte? Enfim, no fundo todas as profissões, umas mais do que outras, não precisam de arte?

Na filosofia também há arte.

Contudo, neste campo, apenas vamos inserir desde a música, essa arte sublime, à jardinagem, passando pela escultura, pintura, arquitectura, fotografia, desenho.

Sabemos que os filhos de Caim desde o princípio se dedicaram às artes e ofícios, como às ciências; e que os de Abel, ao sacerdócio.

Por isso, a Escola Rosacruz tem como uma das suas grandes missões contribuir para cientificar as religiões, tornando-as mais libertadoras pelas artes, desde saber amar até possuir mente aberta, de menino, sempre pronta para aprender; como ajudar as ciências materialistas a espiritualizarem-se, trabalhando com amor e humildade, sabendo lidar com todas as formas de vida, em que haja sentimentos, emoções, caso dos animais, e não só os seres humanos, como sendo sagradas, dignas do maior respeito e compaixão; e ainda cooperar com as artes de modo a comunicarem mais e melhor, se elevarem nas asas do amor e da imaginação criadora até aos arquétipos divinos onde existe a harmonia perfeita numa harpa cósmica, onde a Palavra, o Verbo, a Música tudo cria e mantém.

O Mundo precisa que se cultivem as artes; Portugal, então, há séculos que não tem dado o devido valor às artes. Já no século XVI, Francisco de Holanda deixou a Itália para vir ao seu país, Portugal, contribuir para que aqui, neste jardim à beira-mar, se cultivassem as artes. Vinha cheio de esperança, pleno de confiança, só que…os velhos do Restelo estavam na época da pedra lascada e…o poder, a fortuna, eram as artes que mais amavam...

Mas tudo muda, e estamos em fase de mutação. Todos nós temos de saber cultivar melhor as artes, incluindo a do saber governar.

Começamos pela arte de Apolo: a música que está ligada à matemática, à geometria, à física, à medicina, a diversos ofícios desde os criadores de instrumentos, como os das pautas, artes gráficas; outrora, os copistas, e assim por diante.

 

O Coreto do Jardim da Estrela, Lisboa, foto do autor, em 1982
Coreto do Jardim da Estrela, Lisboa

 

O Coreto do Jardim da Estrela, Lisboa, foto do autor, em 1982. Aqui estão artes diversas desde as do ferreiro ao do carpinteiro, do pedreiro, do arquitecto ou quem o concebeu; muitas das vezes, trabalho de grupo, que também exige arte.

 

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